O preocupante acanhamento das manifestações

A baixa adesão aos protestos do último domingo (26), que teve entre suas principais bandeiras a continuidade da operação Lava Jato e o posicionamento contra a Reforma da Previdência, foi, de certa forma, preocupante. Ela ocorreu no momento em que os políticos, em Brasília, tentam, ao máximo, minimizar os efeitos das investigações lideradas pelo juiz Sergio Moro. A pressão popular, nesse sentido, é fundamental para que as autoridades procurem, de forma célere, esclarecer crimes como lavagem de dinheiro e desvios de recursos públicos envolvendo a classe política. 

Araçatuba, que, no auge das manifestações pró-impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff (PT), em março do ano passado, reuniu 12 mil pessoas, desta vez, contou com apenas 100 manifestantes no ato organizado pelo MBL (Movimento Brasil Livre). Em uma das capitais, Brasília, a manifestação não passou de 500 pessoas. São Paulo, que, em março de 2016, chegou a ver 500 mil na avenida Paulista, agora, reuniu tímidos 15 mil.

Faz quatro anos, portanto bem antes da queda de Dilma, que a população brasileira voltou às ruas para cobrar melhorias nos serviços públicos e protestar contra a corrupção política. Derrubado o desgastado modelo lulopetista, não significa que a luta contra a imoralidade na administração pública está vencida. O momento é oportuno para que a população cobre maior diálogo por parte das autoridades. 

O Congresso Nacional está discutindo temas que afetam diretamente a população num contexto de crise política e econômica, como as reformas previdenciária e trabalhista. 
O recente pedido de investigação contra 83 políticos, baseado nas delações da Odebrecht, envolvendo ex-presidentes e ministros do governo Michel Temer (PMDB), indica mais um passo importante da operação Lava Jato.

O acanhamento das manifestações, em suma encabeçadas por grupos de direita, revela um suposto conformismo com o atual momento político vivido pelo Brasil. A continuidade das passeatas, sim, representaria um despertar de consciência. Paralelamente ao enfraquecimento dos atos organizadas por essas alas, ganham força os protestos de grupos ligados a entidades sindicais, que, por sua vez, têm relação política com o PT, principal partido de oposição ao governo Temer. 

Assim, por exemplo, ocorreu ontem em Araçatuba com a greve de professores estaduais, que incluíram, entre suas causas, justamente a Reforma da Previdência. O importante, portanto, é que as manifestações não cessem. Acima dos interesses políticos dos diferentes grupos, estão a luta pelos direitos da população e melhorias na qualidade de vida. Os últimos anos mostraram que a voz a das ruas tem sido preponderante para a tomada de decisões.