O IPTU e a necessidade de diálogo

O reajuste de classes trabalhadoras está a quilômetros de distância do aumento proposto

O polêmico projeto de aumento do IPTU, apresentado à Câmara de Araçatuba pelo prefeito Dilador Borges (PSDB), está revelando outro ponto fraco do atual governo: a falta de diálogo com a população. Polêmica, a proposta representa aquele tipo de matéria na qual a administração municipal deveria vir a público explicar o real motivo. 

Talvez, com uma audiência pública? Fato é que os araçatubenses só tomaram conhecimento do plano da gestão tucana por meio da imprensa. 

Caso contrário, seriam pegos de surpresa. Inicialmente, quando o texto ainda estava em gestação, falava-se numa disparada de 40%. Porém, diante da repercussão negativa da medida, o Executivo resolveu fracionar o percentual. Para o próximo ano, a ideia era aumentar em 20% a principal fonte de arrecadação do município. Os 20% restantes seriam aplicados somente em 2019. Agora, Dilador quer aumentar em 20% em 2018 e usar levantamentos técnicos para definir o reajuste de 2019.

O principal argumento do governo Dilador é o fato de que o imposto não sofre reajuste desde 2006. Não bastasse essa constatação, ao longo do ano, o poder público se viu no desafio de elevar a arrecadação municipal, como consequência dos efeitos da recessão e de anos de desmandos de gestões anteriores.

Nas redes sociais, entretanto, estas alegações não convencem. No campo onde a população mais tem expressado seu descontentamento com a proposta, sobram críticas, pressão para que os parlamentares rejeitem a matéria e até mesmo convocação para protesto nesta segunda-feira (6). A avaliação é de que o momento é inoportuno para a alta desse tipo. 

Desemprego em níveis elevados, reajuste de classes trabalhadores que está a quilômetros de distância do aumento proposto, insatisfação com a recente proposta, de caráter populista, que isenta do imposto templos religiosos localizados em imóveis alugados. E o questionamento a medidas não adotadas pela gestão tucana a fim de cortar gastos, como o enxugamento de cargos comissionados. Estes são alguns argumentos que pesam.

Sob o ponto de vista político, o famigerado aumento pode levar o governo tucano à impopularidade. Caberia, nesse caso, intervenção da vice-prefeita Edna Flor (PPS), cujo histórico é de luta pela transparência, ética na política e diálogo com a sociedade. A hora, portanto, é de aliar o discurso à prática.

Com parte dos vereadores já sinalizando voto contrário, principalmente para não caírem em descrédito perante o eleitorado, Dilador e equipe precisam abrir os olhos para não ficarem sozinhos. Se insistirem no aumento, sem debate com a população, a derrota, certamente, não virá apenas na Câmara.

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