O inaceitável desperdício de livros

Educação estimular leitura e formar cidadãos conscientes

Imagem registrada pela Folha da Região na última quinta-feira (14)mostra grande quantidade de livros didáticos em meio a lixo amontoado em frente à Escola Estadual Licolina Villela Reis Alves, em Araçatuba. É o tipo de cena que choca por uma série de razões. Além do grande volume desperdiçado, eram obras de diferentes disciplinas e em ótimo estado de conservação. 

É ainda o tipo de situação que leva a uma série de reflexões. Num momento em que a educação se vê, cada vez mais, na necessidade de estimular a leitura e com um papel ainda maior no que diz respeito à formação de seres humanos conscientes, o livro é peça fundamental. Não é à toa que a Jornada da Literatura, evento promovido pela Prefeitura de Araçatuba em parceria com a Academia Araçatubense de Letras encerrado na última sexta-feira, teve suas ações direcionadas justamente às escolas públicas.

Por fim, não se pode deixar de lado a questão do dinheiro jogado fora. Sendo a educação o setor com a maior fatia dos orçamentos públicos, haveria dinheiro de sobra para que os livros fossem tão facilmente inutilizados? Por isso, foi sensata a decisão da Direção Regional de Ensino ao instaurar procedimento para apurar o ocorrido após tomar conhecimento do caso.

Matéria publicada por este jornal na edição da última sexta-feira trouxe informações que mostram o papel do poder público no combate ao desperdício de material didático. Dentre elas, o fato de o prazo de validade para uso em sala de aula ainda estar em vigência e a responsabilidade das escolas de informar aos órgãos gestores da educação o que há de excedente ou em falta. E ainda: o que pode ser reaproveitado.

Assim, o esclarecimento é fundamental. Se o ato partiu de alunos, medidas também precisam ser tomadas. Afinal, o que está indo para o lixo poderia ser usado em alguma ação voltada para reforço escolar ou até mesmo inclusão educacional, se for o caso. 

Cabe à própria educação combater essa prática e dar bons exemplos quanto à valorização do livro. O desperdício, infelizmente, é uma prática corriqueira. Numa forma de conscientização, um belo trabalho foi feito pela Acrepom (Associação dos Catadores de Papel, Papelão e Materiais Recicláveis de Araçatuba), que, há pouco mais de um ano, inaugurou uma biblioteca com volumes descartados pela população. No espaço, é possível encontrar livros com mais de 110 anos.

A incômoda imagem registrada em frente à escola Licolina mostra, portanto, a necessidade de o Estado investir em bibliotecas. Não é demais lembrar que a legislação obriga a existência de uma biblioteca por escola. Sendo assim, com cada vez mais espaços públicos destinados à leitura, as chances de tristes retratos como aquele acontecer serão difíceis de ser registrados.

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