O bom uso das tecnologias

Mas o que há por trás deste desejo de 'voltar no tempo'?

Para fugir da correria do dia a dia, diversas pessoas têm optado por deixar as tecnologias de lado e focar no contato com a natureza. Em meio a tantos problemas, o ser humano busca o contato, de maneira primitiva, com um modo de vida naturalista, primando pelo aprendizado de técnicas de sobrevivência como maneira de espairecer e também de lazer. 

Basta ligar a TV e acompanhar o sucesso de “reality shows” de sobrevivência, principalmente nos canais à cabo. Deixados em meio à selva, com apenas alguns instrumentos básicos, os participantes têm que se movimentar até um determinado ponto, usando todo o conhecimento que possuem para garantir a própria sobrevivência. Fazer fogo, abrigo, conseguir comida — tudo como era em tempos primitivos — os transforma em homens das cavernas em pleno século 21. 

Mas o que há por trás deste desejo de “voltar no tempo”? Para um casal de biólogos que possui escola em Penápolis, além de proporcionar o contato com a natureza, leva a pessoa a reflexões sobre a própria vida. O ser humano está tão atabalhoado de problemas e excessos de tecnologia que começa a sentir necessidade de se afastar de tudo e de todos para se reconectar.

Cena muito comum é observar em restaurantes, por exemplo, casais, famílias ou amigos que, ao invés de conversarem, ficam utilizando o celular durante todo o tempo em que estão à mesa, mostrando total descontrole e dependência do mundo virtual. Por outro lado, há quem consiga fazer o bem com o uso responsável e consciente das tecnologias. É o caso de dois estudantes da Fatec (Faculdade de Tecnologia) de Araçatuba que desenvolveram um aplicativo que tanto ajuda no aprendizado dos sinais de Libras (Linguagem Brasileira de Sinais), quanto funciona como um tradutor para aqueles que não conhecem os sinais. 

Em dois opostos estão aqueles que utilizam a tecnologia para facilitar a vida e aqueles que buscam fugir de toda e qualquer tecnologia. Como tudo que é em excesso, o uso de aparatos tecnológicos deve ser medido para que não seja prejudicial. Não adianta fugir totalmente de nada. A questão é, justamente, a busca pelo equilíbrio. Assim, nada impede que o Bushcraft seja utilizado como maneira de promoção do bem-estar, preservação da história e lazer. 

O que não se pode aceitar é o isolamento tecnológico em um mundo onde os benefícios trazidos por ela são maiores do que os malefícios. Os reality shows devem ficar para a TV, pois ninguém conseguiria viver a vida de maneira saudável abdicando de tudo e de todos para se “perder” numa floresta para sempre.

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