O ar-condicionado e a saúde

Confira os cuidados necessários para não ter problemas respiratórios

Estamos no verão e há dias em que a temperatura está tão alta que chega a causar até mal-estar em muitas pessoas, principalmente quem está na correria do trabalho e que na maioria das vezes precisa usar uniformes, ternos e roupas pouco confortáveis para um dia de temperaturas altas. Contudo, a maioria dos prédios comerciais, sejam eles públicos ou privados, possui em seus ambientes corporativos aparelhos que pertencem à classe dos climatizadores, os chamados ar-condicionados.

 
Um aparelho desses realmente em um dia de calor intenso é um verdadeiro salvador, pois ele deixa todo ambiente com aquela temperatura bem agradável, bem amena em relação à temperatura externa. Realmente, os benefícios do ar-condicionado podem ser facilmente sentidos na pele. Mas você sabia que este aparelho pode ameaçar a saúde de quem fica exposto a ele?

Sim, o ar-condicionado é um tipo de circulador de ar, lançando para fora uma quantidade de ar que pode conter diversas impurezas, inclusive bactérias que podem desencadear alguns sintomas desagradáveis para quem fica exposto a ele. Para entender de uma forma mais simples, o ar-condicionado é um tipo de climatizador que é formado por filtros e ductos. Assim, para que ele funcione sem oferecer riscos à saúde, é preciso que o aparelho passar periodicamente por uma higienização. Contudo, ela não pode ser somente externa 

Contudo, muitas vezes por esses aparelhos estarem em prédios comerciais ou públicos, que não são residenciais, a manutenção destes aparelhos nunca é realizada, o que é uma ameaça para a saúde de quem frequenta esses ambientes 
Por isso, no dia 5 de janeiro, foi publicada no Diário Oficial da União uma lei que obriga que esses aparelhos instalados em prédios não residenciais passem periodicamente por manutenção.

A lei de nº 13.589/2018 determina que todo prédio que possua aparelhos de ar-condicionado instalados possua um plano de manutenção, operação e de controle, o denominado PMOC para aparelhos climatizadores, nos quais se incluem os aparelhos de ar-condicionado.

Essa é uma forma que o Ministério da Saúde, em parceria com a Anvisa e a ABNT, encontrou para tentar garantir que problemas em relação ao ar-condicionado sejam eliminados ou reduzidos, de modo que a qualidade do ar nesses ambientes fique garantida.

No texto original da Lei havia um ponto em que a responsabilidade técnica em relação à manutenção dos aparelhos climatizadores, como o ar-condicionado em prédios não residenciais, era exclusiva de engenheiros mecânicos, mas o presidente da república, Michel Temer, temendo que houvesse uma reserva de mercado, resolveu vetar este trecho do texto.

Nesse sentido, todos os aparelhos instalados em prédios comerciais, privados e públicos devem obedecer a essa medida e passar por manutenção. A medida também é válida para ambientes climatizados, comumente encontrados em laboratórios e hospitais, que também devem seguir algumas regras de manutenção, estas mais específicas em decorrência do tipo de climatização que esses ambientes possuem.

Como se trata de uma lei nova haverá um prazo para que esses locais regulamentem a situação de seus aparelhos, antes que as fiscalizações passem a acontecer. Para isso, o prazo estipulado é e 180 dias.

Antes de a lei ser criada foi feito um estudo baseado nos parâmetros previstos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, com a supervisão da Associação Brasileira de Normas Técnicas, a ABNT. Foram considerados nesse estudo a questão da emissão de poluentes biológicos, físicos e químicos, comumente lançados ao ar por aparelhos de ar-condicionado sem a devida manutenção.

Técnicos e também especialistas da área de saúde alertam que a cada três meses os aparelhos devem passar por higienização, sendo que a cada seis meses os filtros precisam ser trocados e os ductos também devem ser limpos, uma vez que é neste lugar que se instalam restos de água e as bactérias se proliferam, se tornando um desencadeador de várias doenças do trato respiratório, que podem ser de sinusites, alergias, levando até mesmo à casos de pneumonia.


Atenção deve ser com a sujeira que não enxergamos

Há tempos os aparelhos condicionadores de ar não se limitam mais aos ambientes compartilhados, como escritórios e comércio, e são comuns nos lares brasileiros. Para tornar mais agradável o verão tropical, seu uso é praticamente contínuo e, alguns cuidados precisam estar em dia para não colocar em risco a saúde de quem não abre mão do eletroeletrônico.

Segundo o pneumologista Marcelo Mansano, a fórmula para não prejudicar as vias respiratórias é simples: limpeza em dia e temperaturas amenas. Porém, alguns mitos precisam ser desfeitos. O verdadeiro perigo do ar-condicionado sem manutenção não se concentra na sujeira aparente, e sim naquela que não se enxerga. "O problema está na proliferação de fungos, micro-organismos que causam muita rinite, muita asma, por exemplo", explica.

Ainda de acordo com o especialista, especialmente para quem já é portador de alguma doença respiratória, o ar-condicionado pode ser agressivo para as vias aéreas. O ideal é não exagerar e manter o aparelho regulado em temperaturas equilibradas. "O ar-condicionado 'resseca' o ambiente. Uma temperatura de uns 24ºC ajuda a amenizar", completa.

Outro alerta é sobre a presença de pombos nas extensões do aparelho, o que também contribui para a proliferação de fungos devido ao alto grau de contaminação que as aves proporcionam. “Por isso é preciso uma limpeza profissional que realmente consiga eliminar esses micro-organismos, também presentes em estofados, visto que os ácaros se acumulam nesses móveis ao longo tempo, podendo causar muitos danos à saúde”, acrescenta Thiago dos Santos, técnico e proprietário da Disc Clean, empresa de Nova Andradina (MS) especializada em limpeza de condicionadores de ar e estofados.

“É claro que a lavagem sempre é positiva, mas as pessoas se preocupam em eliminar a poeira de um jeito superficial. Regularmente, conforme a rotina de uso, é preciso contratar uma limpeza profissional para garantir que outras peças, como a bandeja, serpentina, rotor ventilador e o cano de dreno também sejam alcançadas. Além disso, há a finalização com um produto bactericida, que prolonga os efeitos da limpeza”, detalha.

Somado ao benefício da prevenção de problemas respiratórios, está a economia de energia elétrica ao manter o aparelho higienizado. Sem o acúmulo de resíduos, é mais fácil para os compressores climatizarem o ambiente, o que torna eletro mais eficiente diminuindo o consumo de energia.

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