O apoio do governo para quem mais precisa

Uma parcela expressiva de brasileiros permanece às margens da sociedade, com dependência extrema dos órgãos de assistência social. Para esse contingente, uma simples passagem de ônibus de retorno ao município de origem ou ao local onde vivem parentes pode ser a esperança de um recomeço.

No outro lado dessa demanda, estão algumas cidades que veem no pagamento de passagem aos moradores carentes uma forma de alívio. São governos que encaram um bilhete rodoviário como a maneira mais cômoda de “resolver” o problema. Se uma investigação for aplicada junto aos moradores de rua em Araçatuba, será possível descobrir que boa parte chegou ao município dessa maneira.

Em Araçatuba, a Prefeitura desembolsa, em média, R$ 1 mil por mês com passagens para moradores carentes. São concedidos a eles cerca de 70 bilhetes para viagens de ônibus, todos os meses. A maioria das pessoas que necessitam de transporte terrestre mora em cidades da região, permitindo que o benefício rodoviário seja liberado por meio do Fundo Social. Se a viagem for para outro Estado, o órgão assistencial do município não pode ajudar, sendo o Centro Pop - projeto do governo federal – uma alternativa para esses casos.

A secretária de Assistência Social de Araçatuba, Marta Dourado, afirma que os critérios da cidade são coerentes na hora de conceder uma passagem. Segundo ela, há rigor na doação de bilhetes, incluindo uma investigação social para verificar o histórico do morador carente na cidade de destino. Com esse procedimento, a administração municipal tenta evitar a prática de transferir a questão para outro município.

No país onde os entes federados parecem falar cada um o seu próprio idioma, não há política comum para atender as demandas dessa camada da sociedade. Na verdade, os equívocos estão além dos órgãos de assistência social, que, na maioria das vezes, conseguem apenas amenizar o sofrimento imediato da população que ocupa o mais baixo patamar da pobreza.

Para quem hoje implora por uma passagem, certamente faltou uma boa escola, saúde pública de qualidade, acesso aos equipamentos de cultura e esporte e emprego digno. Não será por meio de um prato de comida ou de uma passagem para outro município que esse indivíduo conseguirá mudar sua situação. Também é verdade que sem essa pequena ajuda de emergência o cidadão mal consegue sair do lugar.