Ceci Picoloto, de Araçatuba, é uma das admiradoras de Givenchy (destaque) e, durante muito tempo, utilizou peças produzidas por ele

O adeus de Givenchy

Estilista francês deixou legado para o mundo da moda

Hubert de Givenchy despediu-se do mundo da moda em 1995, num desfile exclusivo para amigos pessoais, estilistas e principais clientes. No último dia 10, o estilista francês que conquistou a indústria da moda por mais de três décadas e que vestiu estrelas como Jacqueline Kennedy Onassis, Audrey Hepburn e Grace Kelly, morreu aos 91 anos.

Nascido em 1927, em Beauvais, no norte da França, Givenchy apresentou sua primeira coleção aos 24 anos, tornando-se símbolo de elegância e um despretensioso glamour. Na década de 1950 fundou em Paris uma das mais importantes marcas do mundo da moda. Em Nova York ele transformou-se num império comercial, que em 1988 seria vendido para o grupo LVMH, que, entre outras empresas, administra a Moët et Chandon, Hennessy, Louis Vuitton, Marc Jacobs e Sephora.

Mesmo após a venda, continuou assinando as coleções até seu afastamento completo. Como legado, deixou, além da sofisticação e requinte do simples, o vestido preto que Audrey Hepburn usou em Bonequinha de Luxo (1961). A atriz se tornou grande amiga do estilista e teve papel fundamental em sua obra, que contou com vários modelos usados por ela no filme Sabrina (1954).

REFERÊNCIA
A estilista araçatubense Rosa Biaggioni exalta a importância das criações do ícone francês e destaca: "a obra de Givenchy simboliza a alta-costura francesa pelo bom gosto e elegância de suas criações". Para Rosa, ele "extrapolou o mundo das passarelas assinando o figurino de vários filmes" o que o tornou "uma das maiores referências da alta moda mundial".

Nascido numa família de nobres (seu pai foi o marquês de Givenchy), ele transmitia em sua figura um refinamento natural. "Seu bom gosto veio do próprio berço e sua elegância nata", explica a araçatubense que é fã do trabalho do francês. “Continua sendo referência para nós estilistas da atualidade, quando a busca é pelo estilo clássico e atemporal", contextualiza.

"Eu, particularmente, tinha por ele uma verdadeira admiração, não só pela importância de seu trabalho, que chegou a influenciar rainhas, mas também por ele ter sido o grande precursor do duas-peças no vestuário", enaltece Rosa sobre a importância do ídolo e finaliza acrescentando que "talvez esta tenha sido sua maior contribuição ao mundo da moda. Sua 'pièce de rèsistance'".

ADMIRADORAS
Ceci Picoloto é uma das admiradoras do trabalho de Givenchy e, durante muito tempo, utilizou as peças produzidas por sua Maison. Em meados de 1980, Ceci teve contato com as requintadas peças e fez questão de vestir-se com o primor e refinamento do francês. "Quando eu comecei a comprar, foi durante uma ida a Nova York, pois naquela época o Brasil não permitia importação. Eu gostava muito da roupa clássica e ele tinha isso como seu melhor", revela a consumidora que destaca que nesse período ele era "o grande estilista".

"Ele ficou imortalizado com sua obra. O nome dele vai ficar pra eternidade. Inclusive não só pelas roupas, mas pelos perfumes", revela a atual admiradora de marcas precursoras como Gutti, Armani e Roberto Cavalli.

Ceci ainda contemporiza que Givenchy "era um homem que fazia de tudo" e que "sentiu" a sua morte, finalizando que "o mundo perdeu um grande estilista". Para ela, os trabalhos do estilista eram "atemporais" e os vestidos feitos por ele eram "magníficos".
Quem também viu de perto o trabalho do francês foi Marici Bernardes, que via as avós vestindo os cortes clássicos do mestre. Para Marici, sua marca é "uma grife eternizada por ser um clássico da moda".

PRATICIDADE
De acordo com a consultora de imagem e estilo Lili Rocha, os traços dele "influenciam até hoje na moda". "Ele priorizava o conforto sem deixar de lado a elegância e a sofisticação. A praticidade com peças intercambiáveis podem formar viários looks sem precisar de um guarda roupa enorme, que é o que buscamos até hoje", explica a consultora.

Na esteira de sua contribuição, Lili ainda destaca suas criações de camisaria e "roupas avulsas e confortáveis que as mulheres podiam usar no seu dia a dia, com vestidos e peças que podiam ser desmembrados". Também destacando os pontos altos do estilista, ela, que nunca possuiu um dos clássicos, disse que adquiriria "com certeza, porque a elegância e o refinamento seguiram as criações do estilista por toda sua vida profissional".

Ela explica que durante o primeiro desfile dele, a famosa Blusa Bettina foi apresentada. "Feita com tecido de camisaria, gola alta e aberta, as mangas tinham babados de bordado inglês. Ele dizia que uma boa camisa branca é coringa em qualquer guarda roupa", sintetiza.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.395082

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