O abandono de praças

Descuido abre caminho para a prática de atos ilícitos

Muito se fala na necessidade de novos espaços voltados para o lazer em Araçatuba. Entretanto, há também o problema gerado quando as atuais áreas existentes para esse fim não são preservadas. Esta é a reflexão que se tira do estado de abandono no qual se encontra a praça Getúlio Vargas, situação mostrada por reportagem publicada na edição da última quinta-feira da Folha da Região.

Lixo amontoado, lixeiras retorcidas, piso desgastado, ausência de traves na quadra de futebol e até corrente amarrada no lugar de rede na cesta de basquete são alguns dos retratos observados. Cenas desse tipo só deixam nítido o quanto é deficitária a ação do poder público no que diz respeito à preservação das praças existentes no município. A Getúlio Vargas, também chamada de “praça do estudante” no passado por ter servido de palco para manifestações estudantis no passado, está na região central da cidade, mas realidade semelhante pode ser vista em diferentes bairros de Araçatuba.

Como outras, a praça localizada próxima ao IE (Escola Estadual Manoel Bento da Cruz) passou por revitalização graças à ação da iniciativa privada, tipo de medida que já “salvou” muitos espaços públicos do abandono.

A reclamação de frequentadores do local ocorre no momento em que Araçatuba acaba de virar assunto de projeto de lei na Assembleia Legislativa de São Paulo para torná-la um MIT (Município de Interesse Turístico), condição que pode colocá-la no rol de contempladas do Estado com recursos para investimentos em infraestrutura e turismo. Fica, então, uma pergunta: se a administração municipal não consegue manter preservado um dos seus mais famosos espaços públicos, teria condições de manter adequados outros pontos de atração?

Com o abandono, afastam-se pessoas interessadas na prática esportiva e/ou no lazer em família e entre amigos. Eles passam a dar lugar a praticantes de ilícitos, como o uso de drogas, situação mais comum em praças, casas e terrenos caracterizados pelo abandono. Quando acontece isso, cria-se um clima de insegurança e favorável ao desrespeito. Afinal, foi no ano passado que a Câmara Municipal aprovou lei que prevê punição a quem não coleta fezes de animais. Entretanto, com a medida sem ter sua regulamentação até hoje, a prática é recorrente no local, conforme constatou a reportagem deste jornal.

Deixar áreas públicas em boas condições é o mínimo a se esperar de uma prefeitura, especialmente em relação à limpeza, que consome altas cifras do orçamento municipal.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.363961