Nova política

Não faltam, também, políticos malandros, indiciados nas operações deflagradas ao longo dos últimos quatro anos

Em ano eleitoral, o que não faltam são iniciativas para alavancar, popularmente falando, aqueles que as propõem. Em menos de um mês, duas câmaras de vereadores da região, Araçatuba e Birigui, já propuseram a redução do número de cadeiras. Nenhuma obteve sucesso. Fica, para aqueles que votaram favoráveis ou propuseram os projetos, o gostinho de “vitória” nas urnas, pois acabam caindo no gosto da população por terem peito para propor uma medida tão impopular.

Acontece que nem só de novas faces e de medidas eleitoreiras vive a política no Brasil. Ao passo em que alguns galgam aumentar a popularidade visando às eleições, outros buscam se diferenciar da escória política que viveu às custas do dinheiro público por anos a fio. É este o tipo de homem público que o brasileiro precisa aprender a diferenciar e eleger. Experiência conta, é importante, sim, mas só é adquirida mediante a ocupação do cargo. 

O que não faltam são políticos de carteirinha de olho nas vagas que se abrirão ainda este ano. Não faltam também políticos malandros, indiciados nas operações deflagradas ao longo dos últimos quatro anos, como a Lava Jato, por exemplo, precursora dos grandes escândalos do País, e que “precisam” da reeleição para manterem seu foro privilegiado. 

Os cerca de 200 políticos que estão nesta situação devem ser riscados da lista de votos dos brasileiros. Muitos que tinham a intenção de se candidatarem a outros cargos diferentes do que ocupam hoje, estão repensando suas decisões e estratégias. O que é inadmissível. A escória da sociedade hoje ocupa cargos eletivos no Brasil. 

Trata-se de bandidos, assassinos e ladrões do mais alto escalão. Se apoderam do dinheiro e dos bens públicos, deixando a sociedade à míngua, literalmente, correndo risco de morte por não ter saúde de qualidade, ou educação que ensine e dê novas perspectivas de vida àqueles que ainda não tiveram uma chance e estão à margem.

O problema maior das câmaras municipais não é somente o inchaço. Urge melhorar a qualidade dos políticos que hoje ocupam este cargo que, dos eletivos, é o que está mais próximo ao povo. Legislar em favor da população é o único princípio que deve nortear os ocupantes do Legislativo. De nada adianta propor a redução do número de cadeiras se os próprios vereadores não se atentam à sua atuação na casa de leis. 

Ao povo, fica o recado: não se pode mais aceitar o voto de cabresto ou por esta ou aquela medida popular, ainda que fracassada. Não é mais admissível votar sem conhecer a vida pregressa dos candidatos e o que eles têm feito para melhorar o futuro do País. Não adianta bater panela ou fazer inúmeras manifestações e atos sobre determinado assunto e votar em políticos que olham somente para o próprio umbigo. 

O futuro começa agora, ainda que devagar, pois levará anos para mudar o estrago deixado por esta geração de corruptos crônicos que hoje desgoverna a nação. Em tempo: nenhum político, em sã consciência, deixará de atender um cidadão por achar que não lhe deu seu voto. Não é preciso se sujeitar à corrupção para ter voz.

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