Machado: "Os marginais vêm para matar ou morrer, pois eles não têm nada a perder"

'Nossa atitude, em todas as ações, será de preservar vidas', afirma comandante da PM

Confronto com bandidos no assalto à Protege poderia causar mortes

A atitude tomada pela Polícia Militar, diante do mega-assalto ocorrido na madrugada de segunda-feira (16) na empresa de valores Protege, em Araçatuba, teve o objetivo de preservar vidas. A afirmação foi feita pelo comandante do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior) de Araçatuba, coronel Carlos Alberto Machado. Na ação, os bandidos dispararam contra o quartel e atearam fogo em dois caminhões particulares para evitar que viaturas deixassem o local. Os militares ficaram sitiados, sem qualquer comunicação via rádio, pois o fogo dos veículos atingiu a rede elétrica, deixando o local no escuro. 

O quarteirão em volta foi isolado e houve troca de tiros entre PMs e criminosos. Segundo ele, a PM trabalha com um método internacional, cujo objetivo é a preservação da vida. “Essa quadrilha estava muito bem armada e preparada. Eles fizeram uma logística, impedindo que os policiais fizessem frente à ação. Caso houvesse um confronto, poderia ocorrer a morte de pessoas inocentes e a nossa atitude, diante disso, foi, principalmente, preservar a integridade das equipes e dos moradores e pessoas que poderiam passar próximo ao quartel”, disse.

O coronel acrescentou que a PM só reage a uma ação em legítima defesa. “Nós não podemos atirar se não houver uma reação por parte dos marginais. Fazer frente a um tipo de crime, como ocorreu em Araçatuba, é uma situação complicada quando se fala em vidas. A forma de agir nestes casos é o policial se abrigar e alertar a terceiros que não sabem o que está acontecendo e acabam passando pelo local, podendo ser feridas”, destacou.

JUSTIÇA
O comandante observou que a polícia tem por base de prender os criminosos e levá-los à Justiça. “Entretanto, no Brasil, temos o problema da impunidade e os bandidos, sabendo disso, voltam a praticar crimes, mesmo tendo sido julgados e presos”, ressaltou. Machado observou que ainda é muito cedo para dizer quem errou. 

“A empresa de segurança pode nos ajudar investindo em equipamentos de segurança, monitoramento, seleção das pessoas que trabalharão e ter uma estrutura física capaz de suportar este tipo de ação. Tudo isso ajuda na questão de prevenir crimes como este que ocorreu”, explicou.

PREPARAÇÃO
Machado lembrou que, apesar de a polícia não possuir o armamento usado pelos criminosos, estará sempre preparada para reagir a ações coordenadas como essa que ocorreu no município. “Os marginais vêm para matar ou morrer, pois eles não têm nada a perder, a não ser quando a ação não surte o efeito que desejam. As imagens das câmeras de segurança mostram eles atirando em veículos que passam pelo local, mostrando que o grupo não possui discernimento e nenhuma preocupação em preservar vidas”, disse.

O coronel frisou que a união de esforços ajuda no combate à criminalidade. “O sistema de segurança não é apenas a polícia, mas a população e os governos (municipal, estadual e federal). Nosso policiamento é distribuído na região de forma inteligente e sempre trabalhamos com base da vulnerabilidade das pessoas, obtendo resultados positivos, como a redução dos índices de roubo em mais de 30% na região. Além disso, acredito muito na parceria com a comunidade, por meio das denúncias, que ajudam nos casos”, comentou.

No caso do mega-assalto, o coronel esclareceu que a ação foi atípica. “A PM está atenta e continua trabalhando. Reuni todos os policiais e pedi para que continuassem o trabalho, pois essa ação nos deixa bastante consternados. O mal nunca vence, mas o bem e aqui estão os seus verdadeiros heróis. A população pode continuar confiando em nossa missão, que será sempre combater a criminalidade”, finalizou.

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