Obra está dividida em quatro capítulos, sendo o primeiro com a biografia de Napoleão

Napo e o arquivo da Velha Senhora

Livro resgata história de um dos maiores memorialistas de Araçatuba

Araçatuba completa 109 anos neste sábado (2) com inúmeras histórias, passagens e acontecimentos. Será, no entanto, o segundo ano sem as “cartas à velha senhora”, crônicas escritas pelo jornalista e advogado Jorge Napoleão Xavier sobre a cidade que a marcaram as publicações comemorativas do aniversário do município na Folha da Região entre 2000 e 2015. 

A carta em homenagem não virá, mas os saudosos amigos de “Napo”, como era conhecido o famoso remetente, serão presenteados com o livro “Napo, o Arquivo da Velha Senhora”, idealizado por sua esposa, Heloísa Xavier, e escrita pelo jornalista Arnon Gomes. O lançamento da obra acontecerá no sábado, a partir das 20h, em Araçatuba, no Mariá Plaza Hotel: rua Anhanguera, 3.909, bairro Nova Iorque.

O livro está dividido em quatro capítulos, sendo o primeiro com a biografia de Napoleão e todas as suas passagens, seja como jornalista, advogado, professor de direito, colunista social, político e na vida pessoal. O segundo contempla uma coletânea de crônicas escritas por Napo na seção “Arquivo”, que existiu por 13 anos nesta Folha, sendo encerrada somente em outubro do ano passado, com a morte do colunista. Nela, o biografado publicava suas memórias sobre a cidade. O capítulo tem o maior espaço no livro, com cerca de cem crônicas, dentre as mais de 600 que Napoleão deixou nos arquivos do jornal. 

O terceiro capítulo traz as 16 cartas que saíram no aniversário da cidade. A última parte traz aproximadamente 40 depoimentos de pessoas que conviveram com Napo e Heloísa. Entre os nomes estão Habib Nadra Gname, Juvêncio Dias Gomes, Ana Eliza Lemos Cenci (diretora da Folha), Therezinha Maluly, Arthur Leandro Lopes, Anésio Duarte, Naoun Cury e Jeremias Alves Pereira Filho. Dois blocos de fotos ilustram o livro, com imagens das atividades em diferentes fases da vida do biografado.
 
MEMÓRIA
Nascido em 26 de maio de 1944, Napo era considerado por muita gente o grande memorialista de Araçatuba, justamente pela riqueza de detalhes dos fatos que contava em seus textos e até mesmo em conversas informais. Em sua trajetória, foi professor de direito criminal e vereador entre 1973 e 77. Como jornalista, colaborou com o extinto jornal “A Comarca” e trabalhou nas também extintas revistas “Somos” e “Cinelândia”. Na Folha, destacou-se como cronista. 

Com este livro, Heloísa, com quem Napo conviveu por 47 anos, sendo três de namoro e 44 de casamento, concretiza o sonho que seu marido sempre teve: publicar um livro com seu acervo de crônicas. O casal tinha a ideia de lançar uma coletânea intitulada “Arquivos e outros dedicados à ‘Velha Senhora’”. 

Após a morte de Napo, sua esposa abraçou a ideia como objetivo principal e agora torna sólido esse momento. Ela considera o livro como uma forma de homenageá-lo e, ao mesmo tempo, “presentear seus leitores assíduos, admiradores e amigos”. O livro conta com 370 páginas. O prefácio foi escrito pelo médico e membro da Academia Araçatubens de Letras, Geraldo da Costa e Silva. O posfácio é de autoria do radialista e jornalista Hélio Negri. Ambos foram amigos de mais de quatro décadas de Napoleão.

BIOGRAFIA
Arnon Gomes, que conduziu o trabalho de pesquisa e produção do livro, conta que a trajetória de Napo se confunde com a história da cidade. “Ele fala de Araçatuba sob a ótica das pessoas. A própria história dele ajuda a compreender a evolução da cidade nas últimas cinco décadas”, explica o autor. 

Gomes conta que chegaram à ideia do nome do livro, reunindo três itens que marcam o homenageado. “Napo, por ser o apelido que ele tinha; ‘arquivo’ por ser esse o título da coluna que ele fez na Folha e ‘velha senhora’ pelas cartas que escrevia para Araçatuba em seu aniversário.”

MARCANTE
Napoleão é considerado por Heloísa como “uma pessoa diferenciada”. Diz ela: “Uma de minhas admirações por ele era ver o prazer que sentia em conhecer as pessoas, independentemente de sua hierarquia social e tratá-las com igual atenção e carinho”. Ela relembra que sua casa sempre viveu cheia de amigos e que muitos deles com mais de 40 anos de história. 

A memória prodigiosa dele também foi um traço marcante para Helô. Para ela, a clareza com que detalhava seus textos e a competência de seus trabalhos durante toda sua história são pontos relevantes em sua biografia. “Orgulho-me e me sensibiliza que ‘Napo’, como era conhecido, foi o grande protagonista desta cidade onde cantou em prosa e versos todo seu amor e admiração por ela”, emociona-se a esposa. “O livro cumpre o papel de homenagear esse virtuoso ser humano que foi meu marido e presenteio Araçatuba com essas memórias que ficarão imortalizadas”, finaliza ela.

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