Taluane afirma que não é a primeira vez que a situação ocorre

Mulher procura a polícia por não conseguir ônibus para cadeirante

Vendedora esperou mais de uma hora por informação e solução

A vendedora Taluane Barros Martins, 27 anos, moradora no bairro Rosele, em Araçatuba, procurou a polícia na última quarta-feira (7), após não conseguir embarcar com o filho cadeirante em um ônibus do transporte coletivo. Ela disse que esperou por uma hora um veículo no terminal urbano e não foi atendida. "Não foi a primeira vez que isso aconteceu, por isso decidi procurar a polícia", afirma.

No boletim de ocorrência, ela cita que o filho de 5 anos é portador de necessidades especiais e se locomove com auxílio de cadeira de rodas. Na manhã de quarta-feira, ela desembarcou com o menino no terminal, por volta das 10h20, e ficou aguardando o ônibus que faz a linha do bairro Alvorada.

Porém, quando o veículo chegou, o elevador para o acesso com cadeira de rodas não estava disponível. Por isso, ela procurou um funcionário da TUA (Transportes Urbanos Araçatuba), empresa que presta o serviço na cidade, o qual disse que iria se informar e se afastou.

Passados cerca de 15 minutos, essa pessoa teria retornado, informado que não havia nenhum fiscal da empresa para resolver o problema e pedido para aguardar a chegada de um fiscal. Taluane informa que esperou até as 11h30 e não apareceu outro ônibus e nem foi atendida por representantes da empresa. "Fiquei muito nervosa e decidi telefonar para a polícia, que me orientou a registrar um boletim de ocorrência", informa.

Ela foi a pé até a delegacia, empurrando a cadeira de rodas com o filho, e após o registro do boletim de ocorrência, solicitou ajuda de familiar para ir para casa. A vendedora disse que o mesmo problema aconteceu em uma oportunidade quando chegou de viagem de São José do Rio Preto, na rodoviária local. 

O filho dela faz tratamento naquele município. "Eu queria embarcar no ônibus, mas o motorista disse que eu tinha que esperar outro carro, porque o elevador estava quebrado", informa. Ainda, de acordo com ela, alguns motoristas são atenciosos, mas muitos fazem pouco caso e não a ajudam a embarcar com o filho dela no ônibus.

PROBLEMA
A TUA informa que possui 40 ônibus que possuem elevador para transporte de cadeirantes e que todas as 19 linhas atendidas pela empresa utilizam veículos com essas características. Entretanto, apesar de os veículos passarem por revisão semanal, nesse caso, houve um problema com o equipamento do veículo que estava na linha que atenderia a passageira com o filho.

A TUA afirma que foi disponibilizado outro veículo para que a usuária seguisse viagem até o seu destino. "Com relação ao atendimento dispensado pelos nossos colaboradores, já convocamos os responsáveis a prestarem esclarecimentos sobre o ocorrido", informa a nota. Taluane rebateu a informação da TUA, disse que perdeu a sessão de terapia ocupacional do filho e ainda teve que voltar para casa de carona.

LEI
Decreto Presidencial nº 5.296/2004, em vigor desde dezembro de 2014, determina que 100% da frota dos coletivos municipais seja adaptada para deficientes. O prazo para adequação foi de dez anos. Lei federal de 2008 exige, ainda, que nenhum coletivo saia de fábrica sem equipamento de acessibilidade.

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