'Conduta será analisada pela Justiça, independentemente da conclusão da Polícia Civil', diz Adelmo; no destaque, Ademir Rondina

MP investigará conduta de PMs na morte de homem que assassinou os pais

Promotor quer saber se houve excesso

O Ministério Público vai investigar a conduta dos policiais militares que atiraram e mataram o comerciante Ademir Magalhães Rondina, 51 anos, morador no bairro Icaraí, em Araçatuba, na manhã de domingo (21). A vítima esfaqueou a esposa, matou os pais e atacou os policiais, arremessando tijolos contra eles.

O promotor Adelmo Pinho acompanhou o registro do boletim de ocorrência sobre o caso e informou que a Polícia Civil instaurou dois inquéritos. Um deles vai apurar o duplo homicídio e a tentativa de homicídio. Ele explica que, neste caso, como o autor morreu, provavelmente o procedimento será arquivado.

O outro inquérito deve averiguar se a conduta dos policiais militares, ao matarem o comerciante, foi amparada pela lei ou não, diante das circunstâncias. "Vamos apurar se houve excesso ou não, ou se agiram em legítima defesa. A conduta será analisada pela Justiça, independentemente da conclusão da Polícia Civil sobre o caso", explica.

O promotor informa que será preciso aguardar a emissão dos laudos relativos aos exames necroscópicos nos corpos dos envolvidos e também das perícias nos locais dos crimes para dar andamento à investigação.

CRIMES
Segundo a polícia, os crimes aconteceram na residência da família, pouco antes das 7h de domingo. Ademir, que possuía comércio em Jales, morava com os pais, a esposa e uma filha do casal nessa residência.

Foi apurado que o comerciante discutiu com a esposa, de 50 anos, supostamente por problemas financeiros e, de posse de uma faca, a feriu na região abdominal. Mesmo machucada, a mulher teria conseguido correr para a rua.

Os policiais apuraram que, após o filho tentar matar a esposa, os pais dele, o também comerciante Wilson Rondina, 73, e Marineusa Magalhães Rondina, 70, tentaram contê-lo e foram atacados.

A polícia aguarda os laudos dos exames necroscópicos para saber quais armas foram utilizadas para cometer os crimes. Na residência foram apreendidas algumas facas, uma espada, pedaços de corda e um revólver calibre 38. A arma estava carregada com seis munições, três delas deflagradas.

SUICÍDIO
Ainda de acordo com a polícia, após matar os pais, Ademir tentou suicídio, utilizando a corda, com a qual teria tentado se enforcar. Como não conseguiu, ele fez um corte no pescoço e, em seguida, deu um tiro de baixo para cima, no próprio queixo. Segundo a polícia, o projétil saiu pela boca, quebrando vários dentes.

Assim que a polícia foi comunicada dos crimes, várias equipes seguiram para a residência da família. Ao ver os policiais, Ademir saiu correndo e foi acompanhado por três quarteirões, até entrar em um terreno baldio na rua Argentina. No imóvel havia uma pilha de tijolos e o comerciante teria passado a atirá-los nos policiais.

AFASTOU-SE
Consta no boletim de ocorrência que, diante do ataque por parte do comerciante, um dos policiais afastou-se até encostar na viatura estacionada em frente ao terreno. Sem poder recuar mais, ele teria utilizado uma das mãos para se defender de um tijolo que acertaria seu rosto e, em seguida, efetuado um disparo, com pistola que portava, contra o comerciante, que continuou arremessando tijolos.

Por isso, o outro policial que o acompanhava também sacou a arma e atirou. Após o segundo disparo, Ademir parou de arremessar tijolos, permaneceu algum tempo em pé e depois caiu. Ele morreu no local.

SANGUE
A perícia encontrou bastante sangue na casa. Marineuza foi assassinada na cozinha, Wilson na sala e Ademir teria tentado o suicídio no quintal da residência. No local havia uma poça de sangue e marcas das duas mãos dele sujas de sangue no muro. No local  estava ainda uma avó do comerciante, de 96 anos, que está acamada, e a filha do casal, de 12 anos. Elas não foram feridas.

A esposa de Ademir Magalhães Rondina, de 51 anos, recebeu atendimento médico e foi liberada ainda no domingo.

Os corpos de Ademir e dos pais foram velados e enterrados em Parisi (a 145 km de Araçatuba), na região de São José do Rio Preto, de onde era a família. 

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