Apenas 27% desse total foram para imóveis voltados a famílias de baixa renda, foco principal do programa

Minha Casa Minha Vida ajudou mais a classe média de Araçatuba em 8 anos

Programa habitacional teve investimento de R$ 1 bilhão

Segundo o relatório da União, Araçatuba recebeu investimento total de R$ 1.060.174.036,10 (um bilhão e sessenta milhões de reais) durante os oito anos de vigência do programa do governo federal. O valor inclui unidades das faixas 1, 2 e 3 do programa, que variam conforme o rendimento mensal de cada família cadastrada. A faixa 2, que engloba famílias com rendimentos entre R$ 2.350 e R$ 3,6 mil mensais, foi a que mais teve unidades contratadas na cidade e, consequentemente, a que mais recebeu investimentos. De acordo com o relatório do Ministério das Cidades, foram construídas 9.738 unidades para essa faixa na cidade, o que representa quase 68% do total contratado.

Em valores, foram destinados R$ 770.864.909,31 (setecentos e setenta milhões e oitocentos e sessenta e quatro mil) para construção de unidades da faixa 2, representando pouco mais de 72% do total da cidade.

A faixa 3, destinada para famílias com rendimento acima de R$ 6,5 mil mensais, não teve muita procura, sendo responsável pela construção de 701 moradias (4,87% do total), a um valor de R$ 76.802.775,82 (7,24%).

MAIS POBRES
A população mais pobre, teoricamente a que mais precisa de um imóvel subsidiado pelo governo, foi quase esquecida. Desde 2009, foram construídos cinco residenciais na cidade, específicos para integrantes da faixa 1 do programa (com renda de até R$ 1.800 por mês): Porto Real 1 e 2, Beatriz, Atlântico e Águas Claras. Em números, foram 3.933 unidades construídas (27,36%), ao custo de R$ 212.506.350,96 (20,04%).

A diferença fica ainda mais brutal quando se compara o número de beneficiados com o montante de famílias que ainda aguardam um teto para dormir. De acordo com a Prefeitura de Araçatuba, existem, atualmente, cerca de dez mil famílias que declaram ter renda suficiente para entrar na faixa 1 do programa e, desta forma, aguardam uma residência. “Todas as pessoas interessadas pelo MCMV são encaminhadas para cadastro no CadÚnico. As informações do número de pessoas cadastradas, no entanto, não foram cruzadas para verificar a veracidade das informações”, analisou Maria Cristina Domingues, secretária municipal de Assistência Social de Araçatuba.

PARCERIAS
Para tentar resolver esse déficit, a Prefeitura procura parcerias com outras instituições. 
“O prefeito Dilador Borges (PSDB) está buscando outros programas, inclusive junto ao governo do Estado, além do Federal, para construções de moradias populares”, afirmou a secretária. O pedido de socorro ao Estado é direcionado à CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano).

Conforme dados disponíveis no site da companhia estatala, a cidade teve a instalação de 288 unidades feitas pela CDHU entre os anos de 2011 e 2014, no conjunto habitacional Elias Stefan, o Araçatuba G.
 
CONDIÇÕES
Para se qualificar ao programa Minha Casa Minha Vida, em Araçatuba, além de estar enquadrado em uma das faixas de rendimento mensal disponíveis, é preciso que o imóvel desejado não ultrapasse valor de R$ 180 mil. Caso seja acima, não contará com subsídios concedidos pelo programa, que utiliza o CCFGTS (Conselho Curador do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço).

VEJA AQUI OUTRAS REPORTAGENS SOBRE A SÉRIE
'MINHA CASA MINHA VIDA: O PROGRAMA E A CONTRADIÇÃO'

LINK CURTO: http://folha.fr/1.368400