Rita Lavoyer, de Araçatuba, é membro da União Brasileira de escritores

Microconto: um enorme exercício de escrita, por Rita Lavoyer

Quem nunca ouviu falar que quem conta um conto aumenta um ponto? Neste tempo de correria e, tendo um celular nas mãos o tempo todo, nada melhor que um textinho interessante que caiba na tela do aparelho para ser lido enquanto se exercita outras atividades. E microconto é um formato de texto literário que caiu no gosto dos leitores de todos os tipos. São rápidos de serem lidos e, principalmente, escritos. 

Quem gostaria de escrever, mas não tinha assunto suficiente para rechear páginas, eis que o microconto veio como solução para transformar em criatividade as ideias mofadas nas cacholas. 

Hoje, no universo virtual, há inúmeras comunidades dedicadas a essas produções, reunindo pessoas de todas as idades, culturas e gostos para escreverem o máximo com o mínimo de palavras. Algumas comunidades estipulam 140, outras 300, até 500 caracteres. Mais do que isso descaracteriza o formato de microconto.

A primeira vez que me convidaram para participar de um grupo, entrei, li os textos postados e caí fora, achando que esse tipo de produção era para gênios, que conseguem narrar histórias com 300 caracteres, não para mim que escrevo pelos cotovelos. O convite retornou. Ficaria feio se recusasse novamente. Encarei a batalha. Passei a produzir microcontos diariamente e a lê-los também. Impressionante como num grupo com dois mil participantes, diferentes histórias surgem, tendo apenas uma palavra como tema para a narrativa. Fui exercitando minhas letrinhas e peguei gosto pela produção. A amiga Fátima Florentino, de Araçatuba, também integrante do mesmo grupo, idealizou o seu no facebook e novos integrantes estão chegando.

Diariamente, uma palavra — sempre substantivo —, é postada no grupo. Com ela, desenvolvemos nossas narrativas. Estamos nos divertindo e nos impressionando com as criatividades dos nossos colegas. Postamos nossos microcontos escritos ao nosso estilo. Não há policiamentos nem correções de ideias. Não é concurso, não há competições, por isso o feedback entre os participantes nos é muito gratificante e as experiências que trocamos nos ajudam a melhorar em nossas produções. Sendo um grupo, para ele não desandar, há regras. A produção sobre a palavra do dia deve ser postada no dia dela. O limite de caracteres: 300, contando espaços e pontuações, deve ser respeitado. 

Produzir microconto nos induz à escolha das palavras ideais, que nos expressem com objetividade. Ensina-nos a eliminar o que é irrelevante. A palavra do dia não tem que ser explicada e o final, surpreendente, fica por conta da interpretação do leitor.
Se você tem vontade de escrever, mas não tem tempo, o microconto é uma solução. Tem vontade e ler e não tem tempo, microconto é opção. Vontade de extravasar ideias: microconto. Diversão? Microconto! Tédio: microconto também. 

Vamos! Comece agora! Escreva. Pare. Corte. Continue.

Se quiser participar do nosso grupo, procure-o no facebook: microcontofatimaflorentino. Ali, você poderá postar seu microconto e interagir com entusiastas que ainda estão aprendendo, mas que aderiram ao enorme exercício de produzir muito mais textos com o mínimo possível de palavras. 

Venha! Junte-se a nós nesse exercício de escrita em que o menos é cada vez mais. O convite está aberto. Esteja à vontade para nos agraciar com seus grandiosos enredos: com apresentação, conflito e resolução, premiando-nos, seus leitores que seremos, com a sua criatividade, única entre nós. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.374788