Marianice Paupitz Nucera é membro da Academia Araçatubense de Letras e da União Brasileira dos Escritores

Marianice Paupitz Nucera: Reflexão

Às vezes, em nossas mentes, perguntas insanas e sem respostas começam a brotar. Talvez a vida já esteja longa para a nossa energia. Vejo distante uma frondosa árvore, com sua esplendorosa raiz quebrando todo o solo, como desejando liberdade. E o pensamento voa à procura de respostas. Raiz tão bela, por que escondida? 

E a humanidade caminha no afã da guerra, em virtude da ganância. Lágrimas de mães e esposas. Filhos se tornam rios que beijam a tristeza. A insensatez dos governantes busca soluções incoerentes, inconcebíveis visando um individualismo sem nexo. Há uma nuvem escura pairando no ar de nosso planeta, ninguém se entende, ninguém ama, apenas os animais inocentes sentem a paz, em movimento, como as pás de um ventilador. E, na minha insanidade, me intercalo entre o mar e o céu à procura de ondas bem no centro do oceano. Existirão elas lá? 

A humanidade está à deriva, seus passos sem rumo, sua alma sem cor e um cinza nebuloso se avista no horizonte. O vulcão da esperança caminha a passos largos, suas lavas como rios tentam lavar toda a terra para que o amarelo do sol, como mel, a deixe depois do banho um mundo adocicado, sem o amargor das batalhas. Não mais a brisa marítima é sentida pelos amantes da praia, é um ar poluído sem brilho, triste. 

Vê-se que até o ar, em combinação com o oceano, está sem a sua beleza natural. E o pensamento positivo, já se foi há muito, os seres humanos não se encontram, os diplomatas representantes de seus países agem abismados com as atitudes governamentais de muitos presidentes e se sentem incompetentes no agir, para que se evite a próxima guerra mundial, que realmente seria uma catástrofe, ou o fim de um planeta. 

Como a agua do mar é salgada e a do rio é doce, unimos, então, o sal e o mel num osculo de paz. Ah! Se as palavras falassem e, como falam, se elas não ferissem, se elas só fossem feitas para o bem do ser humano, que maravilha seria. O sinal da paz se perdeu no Mapa Mundi, uma vez que, em cada cantinho dele, existe um desatino, um mesclado de incompreensão. Uma vontade ferrenha de partir para as vias de fato. Com que direito o ser humano se acha tão poderoso, que afronta toda a comunidade mundial para a tão indesejada guerra?

Quem foi que disse que as armas são mais fortes que as palavras? Para que existem os diplomatas? Se todos se reunissem cordialmente, não seria a ultima solução. Para que mísseis de cá pra lá e de lá pra cá? Mostrar poder? Ou vender armas numa futura guerra mundial? A ilha se sente só, mas aquela flor ali existente a tem aos seus pés, jamais se sentirá só. Esta é a vida. As aparências se enganam, pensam que o beija-flor ama a flor com paixão, mas ele apenas suga seu pólen. 

E a humanidade assim caminha, uns na abundância, outros sentem a falta de tudo. Para que se tenha a paz, a ordem e a solidariedade, é preciso coragem, é preciso usar sabedoria e plantar o amor, é saber viver.

E lá, na calada da noite, ouve-se um tiro, dois, uai! Mas eu não estou na Rocinha, no Rio de Janeiro. É dinamite, é metralhadora. Sim, isto aconteceu aqui, em pleno domingo, nesta silenciosa cidade do interior, Araçatuba. De repente, bombas e bombas. 

Que susto! Não é a guerra que se inicia, ou é? Os assaltantes atacaram o estabelecimento do carro forte, ou seja, onde deveria haver muita segurança. Haja coração! Os vizinhos que o digam. E, por aí, a gente vê, para o inicio de uma guerra pouco precisa, é rápido tanto o começo como o fim, não da guerra, mas sim, do planeta.

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