Marcelo Trevizo é editor de Cidades e Política da Folha da Região

Marcelo Trevizo: Olhar de 'forasteiro'

Quando o Arnon (Gomes, o editor-chefe) sugeriu que escrevêssemos um artigo sobre alguma cobertura jornalística ou edição de texto marcante aqui na Folha da Região, várias vieram na minha memória. 

O nascimento de uma criança na rua; um bate-papo franco com o decorador e paisagista Antônio Carlos Spironelli, que fundou e foi presidente da AVA (Associação dos Voluntários com Aidéticos) e hoje não está mais entre nós; as histórias vivenciadas de personagens singulares em Clementina e Ilha Solteira, na série “Nossas Cidades”, no final da década de 1990, brilharam na minha mente, mas acho que o que me marcou foi a produção de reportagens que fiz para o caderno especial de aniversário de Araçatuba, em 2013.

O fato da escolha foi simples. Havia trabalhado na Folha da Região de 1997 a 2003 e, depois, retornei em setembro de 2013, estando até hoje. No período longe de Araçatuba, fiquei afastado do jornalismo diário, atuando em assessoria de imprensa pública e privada. De volta à redação, fui contratado como freelancer para fazer cadernos de aniversário de três cidades — Penápolis, Guararapes e Araçatuba, entre outros produtos especiais.

Como fiquei uma década longe da Capital do Boi Gordo, pude verificar, ao voltar, a transformação que a cidade viveu - e para melhor! Foi como redescobrir Araçatuba. Dentre as atividades a exercer aqui, tinha como missão encontrar pautas (assuntos) para o suplemento especial de aniversário. Foi aí que deu o estalo — a evolução do município nos últimos dez anos.

Pensei em fazer reportagens mostrando a nova silhueta da zona urbana, com vários prédios que não existiam quando sai da cidade pela primeira vez, mas o assunto tinha sido abordado em suplemento anterior. 

Descartada a ideia, veio à mente outras mudanças, como pontos de encontro na cidade. O que me chamou a atenção foi a quantidade de restaurantes que foram abertos em Araçatuba. Foi aí que sugeri como pauta matérias sobre o boom gastronômico na cidade.

Os meus colegas, que até então sabiam sobre a abertura destes estabelecimentos, mas como se tornou algo corriqueiro, passaram a perceber também esta movimentação e me colocaram a par do que ocorreu. O fato é que boa parte do caderno trouxe um roteiro de investimentos na área de alimentos e bebidas, e que foi muito bom reportar isso para o leitor. 

No caderno, recuperei histórias de sucesso, como o cupim casqueirado (no Bola 7 e no saudoso Choppompeu) e o dunga dog (como também é conhecido o cachorro-quente na cidade) e o aumento do número de restaurantes de cozinha japonesa. 

Uma página foi dedicada ao Caldo do Artista, considerado prato típico e patrimônio cultural de Araçatuba, criado pelo arquiteto e artista Mauro Rico, assim como também os restaurantes que traziam alimentação vegana.

Também ganharam as páginas do suplemento os corredores comerciais da cidade e o resultado de pesquisa realizada pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que trazia evolução da educação no município. Foi muito bom destacar as qualidades deste município, um dos mais importantes do Estado de São Paulo.

Enfim, foi prazeroso voltar a Araçatuba, contar esta percepção de um quase forasteiro, que retornou na mesma empresa que tinha trabalhado dez anos antes, rever amigos que há quase duas décadas conquistei aqui e retornar ao trabalho do jornalismo impresso diário.

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