Lázaro Jr. é repórter da Folha da Região

Lázaro Júnior: Histórias de vida e de morte

O que mais me atrai no jornalismo é, diariamente, ter a oportunidade, como repórter, de contar várias histórias. E todas elas são especiais. Porém, como atuo principalmente na área policial, é necessário muito cuidado e atenção, pois o que escrevo influencia na vida das pessoas.

E muitas vezes, somos surpreendidos ao ter que contar histórias tristes de pessoas que conhecemos. Um dos casos que mais me marcou nesses quase 12 anos de Folha da Região foi o assassinato da advogada Giovana Mathias Manzano, de 35 anos. O corpo dela foi encontrado na madrugada de 14 de junho de 2011, em um canavial na zona rural de Penápolis, cidade onde fui criado.

A vítima levou três tiros na cabeça e estava caída ao lado do carro dela, que foi incendiado. Próximo a ela, havia uma carta na qual se despedia dos familiares. O mais surpreendente é que, pouco mais de uma semana depois, a polícia prendeu Welington de Oliveira Macedo, com 21 anos na época, que confessou ter sido contratado pela própria Giovana para matá-la e recebido R$ 2 mil por isso. Ele teve a ajuda de um jovem de 18 anos, que acompanhou autor e vítima até o canavial e ateou fogo no carro dela. Welington foi condenado a 20 anos de prisão e o outro rapaz a quatro anos.

Não menos chocante foi cobrir o assassinato da comerciante Eunice Berto Toldato, 37 anos, e da filha dela, Pâmela Flaviane Berto Toldato da Silva, 7, em 6 de dezembro de 2009, em Alto Alegre. O autor do crime foi o auxiliar de enfermagem Dirso Belarmino da Silva, ex-companheiro da mulher, pai da menina morta. Ele também era de Penápolis e decidiu matá-las devido a cobrança de pagamento de pensão.

As vítimas foram mortas dentro de casa, momentos após chegarem de uma festa. O autor foi identificado pela outra filha de Eunice, de 12 anos, que também foi baleada, mas sobreviveu, mesmo tendo sido encontrada ferida apenas na manhã seguinte. Silva foi condenado a 58 anos de prisão pela Justiça de Penápolis, mas o Ministério Público recorreu e o TJ-SP (Tribunal de Justiça de São Paulo) elevou a pena para 68 anos de cadeia.

ESPERANÇA
Apesar de muitas histórias de tristeza, outras nos enchem de esperança e nos aproxima de pessoas até então desconhecidas. Foi o que aconteceu após o nascimento das gêmeas siamesas Analu e Aline, na Santa Casa de Penápolis, em 2 de abril de 2006, o que é raro.

Uma fonte que eu tinha no hospital na época me informou do caso logo após o parto. Era início da tarde de domingo e corri para acompanhar. Entrevistei o médico que fez o parto e, no final da tarde, tive a honra de conhecer os bebês, que estavam na ambulância para serem transferidos para o Hospital de Base de São José do Rio Preto.

Durante três meses, fiz contato constante com a mãe das meninas, Zilda Galdino Borges, que residia em Braúna. Ela tinha esperança de que os bebês sobrevivessem, apesar de os médicos descartarem a possibilidade de cirurgia.

As mortes foram constatadas em 4 de julho, quando elas sofreram uma parada cardíaca. Os médicos conseguiram reanimá-las, porém, duas horas depois, elas tiveram nova parada e não resistiram.

Vou finalizar relembrando dos quadrigêmeos Ian, Rian, Vitor e Vinicius, também de Penápolis, que nasceram em 29 de março de 2006, filhos da então adolescente Maila Maria de Oliveira, de 16 anos, e de Claudelino do Nascimento Nunes, com 21 na época. Os bebês nasceram prematuros, pesando entre 1.026 kg e 1.240 kg, e a cidade se mobilizou para ajudar a família, inclusive com melhoria da casa para receber as crianças. Quando os meninos completaram 1 ano de idade, tive o prazer de fazer nova visita ao casal e encontrar os irmãos bem e felizes.

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