João Luiz da Cunha Júnior, de Araçatuba, é técnico em T.I. (Tecnologia da Informação) e bacharel em direito

João Luiz da Cunha Júnior: Teatro dos vampiros

Como não lembrar da banda de rock mais Famosa do Brasil, a Legião Urbana, com a inesquecível voz de Renato Russo e a perfeita harmonia dos instrumentos tocados por Dado Villa-Lobos, Marcelo Bonfá e Renato Rocha? Uma verdadeira poesia aos ouvidos, misturada com fortes críticas ao sistema político do País. Hoje, fiquei pensando: o que a banda iria compor em relação ao País, com tantas informações de corrupção e ruína econômica?

Vamos lá. Infelizmente, em 1996, a voz de Renato se calou na forma presencial, mas continua a ecoar em suas obras. Basta ouvirmos clássicos como “Que país é este?” ou “Teatro dos Vampiros”. Fazendo uma análise destes dois clássicos das décadas de 1980 e 1990, podemos fazer alusão aos tempos atuais. Na primeira estrofe da primeira música citada, temos: “Nas favelas, no Senado, sujeira pra todo lado, ninguém respeita a Constituição, mas todos acreditam no futuro da nação”. Renato, faz uma afirmação problemática do caos no País, ou seja, desde os mais pobres até o mais rico e, no Senado, que deveria ser o exemplo, ninguém respeita a Lei Máxima. Com isso, há a desordem, todos de braços cruzados, esperando o futuro da nação. 

Todos parecem ter cruzado os braços novamente, após a queda de Dilma Rousseff, esperando um futuro incerto. O refrão deixa claro uma incredulidade, a revolta e a miséria do país. Convenhamos, essa letra é atualíssima. Já na segunda música, “Teatro dos Vampiros”, fazemos uma breve explanação. 

A música era para ser sobre a TV, como dito pelo próprio Renato em uma entrevista, porém acabou tomando outro rumo, referindo-se sobre o livro “entrevista com vampiro”, de 1994, da escritora Anne Rice, que fala sobre um teatro parisiense, onde os vampiros atuam. Eles se faziam de atores, interpretando vampiros e ninguém percebia. Fazendo uma analogia, o teatro hoje é o Congresso Nacional, onde temos atores fazendo o papel de representantes do povo, mas a verdade é que não passam de sugadores de sangue e o povo não percebe isso. 

Chama a atenção a segunda e a terceira estrofe da música: “Esse é o nosso mundo: O que é demais nunca é o bastante, e a primeira vez é sempre a última chance. Ninguém vê onde chegamos: os assassinos estão livres, nós não estamos. Vamos sair, mas não temos mais dinheiro os meus amigos todos estão procurando emprego, voltamos a viver como há dez anos atrás, e a cada hora que passa envelhecemos dez semanas”. O que tiramos disso? O mundo é apresentado como aquele onde quem tem, sempre quer mais, enquanto os pobres, terão sempre uma primeira e única chance.
 
Os assassinos são os políticos, pois matam as esperanças e ficam livres sendo cuidados pela justiça, enquanto nós estamos à mercê da sorte. A crise assola o País, amigos não saem mais, pois estão desempregados, crescimento econômico pífio e dias sem fim. Não precisamos ir muito longe, para imaginarmos o que Renato Russo pensaria do atual cenário. As músicas são atuais. Quem nos dera, se o alho ou a verbena funcionasse com esses vampiros do Congresso. Nossos problemas seriam fáceis de serem resolvidos.

LINK CURTO: http://tinyurl.com/yaaekjtp