Jean Oliveira é jornalista, bacharel em turismo e funcionário público municipal em Araçatuba

Jean Oliveira: Não existe solução fácil

O jornalista Thomas Friedman, do jornal “The New York Times”, em artigo recente sobre a administração Trump, fez uma análise pertinente sobre o que é administrar um país. Disse ele que “se houvesse uma solução boa e fácil, já teria sido encontrada”. Creio que esta afirmação também sirva para a administração de estados, cidades, empresas e até da nossa própria vida.

A frase de Fiedman é muito pertinente neste momento em que o nosso país atravessa. Todos os dias são casos novos de corrupção que assolam um cotidiano já complicado pelo desemprego, crise nas empresas e serviços básicos e importantes como saúde, educação e segurança não funcionando como deveriam. Hoje, mais do que nunca, sabemos que o enriquecimento ilícito dos que estão no poder há décadas é um grande vilão da má administração do nosso país.

E diante deste furacão todo, nos resta lembrar as palavras do filósofo Sócrates, que nos ensina que administração é uma questão de habilidades, mas é preciso, antes de tudo, saber o que se quer. Nossa sociedade sabe que precisa de melhores gestores nos cargos públicos e de um país minimamente decente. E isso será edificado com a atuação de cada um em nosso cotidiano.

O cidadão que usa vaga de estacionamento de forma errada, joga papel pela janela do carro, comete pequenas corrupções do cotidiano ou não se comporta como deve em casa ou no trabalho não pode reivindicar um país sem corrupção. Devemos ter em mente que não há mesmo solução boa e fácil. Ela partirá de cada um de nós. O país não será outro se a gente reproduzir o que está de errado em nossas vidas e ficar julgando os políticos pelas redes sociais.

Este fenômeno, de ficar gritando pela rede mundial de computadores, tem revelado o quanto as pessoas ainda acreditam que, para se resolver os problemas administrativos, basta boa vontade. Isso porque, geralmente, as pessoas são simplistas em suas análises e encontram ecos em grupos que são tão rasos quanto.

O professor americano de comunicação e ciência política W. Lance Bennett, em livro lançado em 2012, faz uma análise deste fenômeno sobre a personalização da identidade política, mídia social e suas consequências na mudança de padrão de participação. Segundo ele, apesar do uso das mais recentes tecnologias ser fragmentado, descentralizado e, sobretudo, personalizado, ele gera movimentos de identificação coletiva em torno de estilos e ações pessoais. E munidos de outros comentários igualmente desprovidos de uma análise mais profunda, cria-se um ciclo de onde proliferam as notícias falsas e o senso comum.

É claro que o cidadão deve cobrar e até usar as redes sociais para isso. A democracia é bela por causa disso. Mas devemos, todos nós, como cidadãos, nos policiar mais e buscar informação em fontes dignas de confiança para formar nossa opinião, para só depois reverberar e ajudar a comunidade.

Ser uma pessoa ativa socialmente é mais complicado, pois exige estudo, percepção de um todo e reflexão. Em relação a formar cidadania, vale a piada de que a vida é como matemática, ou seja, se estiver fácil, está errado. Como agentes construtores de um mundo melhor, não temos que fazer o mais fácil, temos que agir corretamente, mesmo que seja mais difícil e demorado. Sempre é bom lembrar que se houvesse uma solução boa e fácil, já teria sido encontrada.