Jane Maiolo é pós-graduada em psicopedagogia e colaboradora na Sociedade Espírita Allan Kardec, em Jales. Descreve esta Face Espírita para publicação na Folha da Região

Jane Maiolo: Senhor, não te importa que pereçamos?

“…tendes necessidade de ser fortaleza e união, a fim de que possais enfrentar as tempestades que se aproximam”. (Revista Espírita, “Banquete oferecido ao sr. Allan Kardec”, Ano IV, 1861). A palavra tempestade vem do latim “tempestate”, que significa tormenta, agitação. As tempestades são fenômenos atmosféricos naturais marcados por ventos fortes, trovoadas, relâmpagos, raios e chuvas. 
 
A Doutrina Espírita nos ensina que somos espíritos e, como tal, compreendemos que fomos criados simples e ignorantes, quer dizer, sem ciência e sem conhecimento do bem e do mal, mas perfectíveis. E com uma igualdade de aptidão para tudo adquirir e tudo conhecer com o tempo. (“Obras Póstumas”, por Allan Kardec).
 
Porém, o tempo. Ah, o tempo! Esse soberano amigo existe para marcar os limites entre o ontem, o hoje e dar-nos a expectativa do amanhã, na matéria ou fora dela.
Tal como a formação das tempestades, que se dá por uma separação entre nuvens positivas e negativas, as nossas nuvens sentimentais seguem a mesma lei natural, ao ponto de – um dia – as manifestações dos fenômenos eclodirem na nossa vida. 
 
Nos períodos de permanência na matéria, naturalmente conhecemos momentos angustiosos e sentimos as tempestades se formarem em torno dos nossos projetos existenciais, alçando-nos à categoria de seres amedrontados: nuvens de pessimismo; raios de incompreensão; trovoadas de calúnias; descargas elétricas de sofrimento; enxurradas de vaidade; enchentes de tragédias.
 
O espírito encarnado pressente o gênero de provas que sofrerá nos períodos que antecedem suas experiências amargas. Quem – encarnado no mundo de provas e de expiações como a Terra – está isento da dor ocasionada pela morte? Ou da presença da doença incurável? Da ausência dos seres amados? Dos flagelos naturais ou provocados pelo homem em profundo desequilíbrio?
 
As tempestades a que aludia Erasto, espírito que fora discípulo de Paulo de Tarso, ao endereçar sua missiva aos espíritas lioneses, no banquete de 19 de setembro de 1861, referiam-se à propagação do Espiritismo e aos ataques que receberiam dos adversários. Atualmente, porém, nossas maiores tormentas se dão justamente pela carência da sincera vivência do Espiritismo, em face da invigilância, falta de estudo e de descompromisso com a vida espiritual.
 
É importante sermos fortes e unirmos esforços para fazer frente às tempestades que se aproximam, haja vista todas as tragédias que diariamente vimos surgir no seio da sociedade, sob os pontos de vista político, econômico, cultural, religioso e, sobretudo nas relações afetivas.
 
São raios de chacinas, vendavais de fundamentalismo, feminicídios, trovoadas de corrupções, assaltos, roubos, extorsões, dilúvios de ódios injustificáveis. Roguemos ao Senhor da vida que acalme a tempestade dos nossos sentimentos, na frágil embarcação da fé.
 
Se o temor dos dias difíceis nos tornou vulneráveis, procuremos ver, sentir e confiar no Cristo, que foi, é e sempre será o comandante da embarcação terrestre.
Acalmemo-nos, a tempestade passará!
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