Jane Maiolo é pós-graduada em psicopedagogia e colaboradora na Sociedade Espírita Allan Kardec, em Jales. Descreve esta Face Espírita para publicação na Folha da Região

Jane Maiolo: O que Herodes quer saber?

E perguntavam: Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Porque vimos a sua estrela no Oriente e viemos para adorá-lo. Tendo ouvido isso, alarmou-se o rei Herodes e, com ele, toda a Jerusalém; então, convocando todos os principais sacerdotes e escribas do povo, indagava deles onde o Cristo deveria nascer”. (Mateus 2:1-4).
 
Durante 2000 anos, a comunidade cristã comenta o nascimento de Jesus, o Cristo. Encarado por uns como episódio místico, por outros como fato alegórico, por muitos como lenda, por uma grande parcela como o maior acontecimento de toda a História da Terra. Muitos estudiosos dedicam parte das suas existências tentando encontrar provas científicas que atestem possível fraude histórica a respeito do nascimento do Cristo.
 
Porém, a humanidade prossegue altiva, mergulhada nas pesquisas científicas, históricas, geográficas, arqueológicas, sem se dar conta da grandiosa transformação real e marcante que a presença física e espiritual d’ele causou e ainda causa entre nós. Onde haveria de nascer o Cristo? A dúvida de Herodes, nimbada de medo, talvez fosse sustentada pela insegurança e neurose de um soberano que temia a perda do trono para um legítimo descendente Real.
 
O nome Jesus provém do termo “Yeshua”, forma alternativa de “Yehoshua”, significando “salvar”; é considerado, ainda, uma forma reduzida, pós-exílio babilônico, do nome Josué, que significa “Deus (YHWH) salva”; há também o termo grego “Iesous”, correspondente ao “Yeshua” hebraico. Já o termo grego “Cristo” é correspondente a “ungido”, em hebraico. Assim, aplicado a Jesus, ganha o sentido de “Esperado” ou “Enviado de Deus”. Onde haveria de nascer o Cristo? Quer saber Herodes. Onde esperar a salvação? O nascimento de Jesus estabelecera uma nova era (aC-dC), constituíra novas perspectivas, magnas esperanças, intensas alegrias. Com ele, esperançosos recomeços, auspiciosas possibilidades, sublimes amanheceres... Mas, onde haveria de nascer o Cristo?
 
“…Porque não havia lugar para Eles na hospedaria”. (Lucas 2:7).
 
Nossos hotéis, hospedagens, estalagens, hospedarias e pensões estão lotados. Não há lugar para ele nascer! Mergulhados nos problemas do ser, do destino e da dor, nos esquecemos de vislumbrar a possibilidade do nascimento do Cristo em nós. Para ser nossa salvação, ele tem que ser vivido por nós. Temos que hospedá-lo no coração. Não importa qual pousada: se uma choupana, um palácio ou numa simples manjedoura. O que vale é abrigá-lo. Imperioso refletir que esses locais são estados vibratórios da alma e não espaços físicos.
 
A Doutrina Espírita – tríplice aspecto Ciência, Filosofia e Religião – nos ensina a compreender o verdadeiro sentido do nascimento de Jesus. Com a Ciência Espírita dilatamos nossos sentidos; com a Filosofia Espírita aprendemos a dialogar e a aprofundar nosso raciocínio; com a Religião Espírita e seu conteúdo moral verticalizamos nossos sentimentos e compreendemos a preciosidade da fé raciocinada, meditada, sentida e vivenciada. Onde haveria de nascer o Cristo? Quer saber Herodes...
 
Negamos o nascimento do Cristo quando somos indiferentes à dor do próximo, quando paralisamos nossas ações no bem, quando mutilamos nossos gestos de fraternidade ou amputamos nossas realizações solidárias. Negar o nascimento do Cristo é negar o nosso retorno à casa do Pai. Mas, onde mesmo haverá de nascer o Cristo?
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