Jane Maiolo é pós-graduada em psicopedagogia e colaboradora na Sociedade Espírita Allan Kardec, em Jales. Descreve esta Face Espírita para publicação na Folha da Região

Jane Maiolo: Degeneração da personalidade

Pilatos perguntou-lhe outra vez: Nada respondes? Vê de quantos delitos te acusam!” (Marcos 15,4).

A reencarnação, como lei natural, na sua expressão mais simples consiste no retorno do espírito às experiências no mundo físico. Um dos princípios básicos da Doutrina Espírita, a reencarnação é oportunidade de recomposição dos caminhos, reparação dos erros, reaquisição de valores morais e reequilíbrio das energias psíquicas e emocionais.

É fato que – mergulhados na persona – muitas vezes nos equivocamos e nos afastamos do planejamento reencarnatório. Senhor de suas opções quando credor, pelo atributo divino da relativa liberdade de escolha, por diversas vezes o espírito comete infrações que lesam o seu patrimônio espiritual, comprometendo-se com porvindouros ingressos no arcabouço fisiológico sob os impactos de densas experiências provacionais e/ou expiatórias.

Deus, que é Amor, como assinala o apóstolo João, permite-nos nova aprendizagem a fim de que haja uma harmonia divina no ordenamento da sua criação. Imperioso lembrar, porém, que não existem comoções de caráter punitivo nos estatutos e códigos divinos. Ensina-nos o Espiritismo que a existência física oportuniza aprendizagem, às vezes indesejadas por espíritos rebeldes, insolentes e não comprometidos com as leis divinas.

O espírito Emmanuel afirma que “A lei divina é uma só, isto é, a do amor que abrange todas as coisas e todas as criaturas do Universo ilimitado (...). A concessão paternal de Deus, no que se refere à reencarnação para a sagrada oportunidade de uma nova experiência, já significa, em si, o perdão ou a magnanimidade da Lei (...). Todavia, essa oportunidade só é concedida quando o espírito deseja regenerar-se e renovar seus valores íntimos pelo esforço nos trabalhos santificantes.” (livro “O Consolador”, por Emmanuel/Chico Xavier).

Deste modo, a reencarnação é o Amor do Criador em movimento, regenerando a criatura. O espírito em evolução, por inúmeras causas, engendra-se em experiências dolorosas como prova ou em face da consequência de suas ações mentais fixadas na má persona do passado, conservando, assim, sentimentos que necessitam de reajustes forçosos. Desta forma, decorre a degeneração de suas potências sublimes porquanto criatura energética e luminosa, produzindo as deformidades de ordem fisiopsíquicas refletidas no corpo físico. 

As deficiências orgânicas são quase sempre reflexos da queda de potencial das energias espirituais. A doença é sempre o efeito e nunca a causa das dores. A dor tem funções corretiva, pedagógica, instrutiva e reeducativa, portanto, não dimana de Deus, porque segundo a Lei é reflexo de quem erra. Degenerar-se significa decompor-se, corromper-se, depravar-se moralmente. A advertência “Salva-te a ti mesmo, e desce da cruz”, anotada pelo evangelista Marcos, traz a reflexão oportuna para traçar novos rumos evolutivos.

Não haverá acusadores nem juízes. Despertemos para a grandeza da evolução e glorifiquemos a reencarnação.

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