* Iranilson Alves da Silva é jornalista e acadêmico de Direito em Araçatuba

Iranilson Alves da Silva: A violência contra os animais

Vivemos tempos difíceis, dias difíceis. A incompreensão e a intolerância entre os humanos vêm desde tempos imemoriais. Muitas guerras, impérios, nações dizimadas, destruídas pela ganância, ambição e outros males do espírito humano. Ódio entre irmãos, entre vizinhos, entre povos, levou a catástrofes durante o correr da história. De há muito os povos do mundo sofrem sob os pés de outros que escravizaram, exploraram, destruíram nações inteiras, e muitos sucumbiram à dor e às perseguições.

Mas desde os primórdios, quando o homem aprendeu a domesticar alguns animais para seu mister, a ligação quase afetiva entre os humanos e os irracionais tornou-se plena, produtiva, constante. O homem teve a companhia perene e dedicada de determinados animais no desenvolvimento e evolução da raça humana. Eram o cavalo e o boi emprestando sua força incomparável na construção de muralhas, castelos, pontes, estradas, fortalezas. O boi puxando os primeiros arados, lavrando a terra, carregando água.

Na moenda do trigo, para a produção do pão. O cavalo carregando em seu lombo o homem nos combates, que geraram até a criação de uma modalidade militar de ataque: a temida cavalaria. Foram os animais que o Filho de Deus, Jesus Cristo, escolheu como seus pares logo ao nascer naquele estábulo. Enfim, os animais domesticados, cavalos, gatos, cachorros, vacas, burros, mulas, elefantes, pombos, golfinhos etc. serviram o homem desde a antiguidade, desde os tempos bíblicos, com dedicação absoluta. A história humana está recheada de episódios em que a participação dos animais na vida dos homens é algo admirável.

Mas, hodiernamente, estamos assistindo, surpresos, às agressões, violência contra os animais mais próximos de todos nós, os domésticos. Aqueles que escolhemos para conviver conosco sobre o mesmo teto, na mesma condição de um irmão, um parente. Além de vermos as incontáveis agressões contra mulheres, contra negros, contra homossexuais, numa demonstração inequívoca de extremo e descabido preconceito.

Agora, quase que diariamente, a mídia nos mostra a falta de civilidade, de bom senso ao vermos aqueles que se dizem seres humanos, racionais, agredirem, violentarem, matarem animais que, por si só, são indefesos, desprotegidos e vulneráveis mesmo assim, com invulgar subordinação aos seus donos, aqueles que deveriam protegê-los. São cenas de extrema crueldade, a sanha anormal, um autêntico desvio de conduta e caráter a levar homens e mulheres a praticarem gestos violentos sem um objetivo qualquer que não aquele marcado pela descabida e monstruosa vontade de descarregar num animal suas frustrações, mágoas, decepções. Marcas de uma índole má e desumana.

Vimos, chocados, cenas na TV e na internet de agressões praticadas contra cachorros, cavalos, gatos etc. Em Araçatuba, um energúmeno amarrou e arrastou com sua moto, por várias ruas da cidade, uma cadela abandonada, que teve suas patas completamente dilaceradas. O mesmo ocorreu em Botucatu e Guarulhos. O que leva um ser desalmado, um endemoniado deste a praticar tal coisa? É difícil achar respostas.

Em Brasília, um homem carregava, de forma totalmente errada, uma égua prenha que, numa curva fechada, foi arremessada para fora do caminhão. Amarrada que estava, foi arrastada por quilômetros. Recentemente, no interior de São Paulo, um verdadeiro “animal” atirou uma gata numa fogueira. Em Tanabi, um idiota, um crápula de 18 anos, espancou um filhote, um cãozinho, quebrando-lhe a mandíbula e os dentes por este ter mordido seu celular!

Em Rio Preto, um casal que embarcaria num avião deixou um cãozinho trancado por quatro horas no porta-malas de seu veículo estacionado sob este sol escaldante de mais de 40 graus! A TV nos mostra uma enfermeira, alguém que pela própria profissão deveria pautar-se pelo amor ao próximo, torturando e matando um pequeno filhote, um cãozinho indefeso. Pior: na frente de sua filha de três anos de idade! Que exemplo!!! Será que essa enfermeira cuida assim de seus pacientes?

Esses são alguns dos casos trazidos à luz pela mídia. E aqueles que ocorrem na solidão dos lares? E aqueles cometidos por pessoas protegidas pela impunidade das paredes, do anonimato? E o que acontece com esse lixo chamado de ser humano?! Nossas leis brandas, inclusive contra os humanos, não protegem, não punem.

É preciso uma grande movimentação junto aos congressistas no sentido de se rever o texto legal pertinente, estabelecer mecanismos pesados de punição contra aqueles que agridem, que praticam violências contra os animais, principalmente os que estão abandonados pelas ruas das cidades, indefesos e jogados à própria sorte, doentes e em estado lamentável. Dignos da piedade humana.

É preciso qualificar esses crimes, impondo penas mais duras e plenamente eficazes. Que sociedade pretendemos deixar aos pósteros, às crianças de hoje?! Urge punir com severidade, para que essas criaturas de Deus, nossos verdadeiros irmãozinhos, companheiros, conviventes, possam viver em paz, em harmonia com o homem, segundo os ditames da Criação divina!

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