Beatriz tem acesso a materiais lúdicos sob supervisão de Ana Maria, com quem esclarece dúvidas

Intérprete e sala de recursos especializados beneficiam jovem com múltiplas deficiências

Estudante ainda trabalha a interpretação de histórias

Antes de a Escola Estadual Manoel Bento da Cruz, de Araçatuba, conquistar uma intérprete para acompanhar a estudante Beatriz Souza Pontes, 14 anos, a jovem passava uma grande parte da aula adormecida. Aluna do 9º ano, a jovem tem múltiplas deficiências, entre elas uma perda profunda da audição. O implante coclear, instalado cirurgicamente, permite que a garota tenha uma percepção de alguns sons, mas não a compreensão da fala. 

A intérprete Márcia Regina Silvestre agora ajuda com que a garota compreenda as aulas, adaptando o conteúdo para que ela possa entender. Ela destaca que cada estudante surdo ou com deficiência auditiva possui necessidades diferentes que precisam ser levadas em consideração no ensino. “Como a Bia tem múltiplas deficiências, ela, às vezes, esquece os sinais. Faço um acompanhamento diferenciado para ela.” 

A estudante ainda trabalha a interpretação de histórias, recontando-as com desenhos, utiliza ábaco para estudar matemática e participa da sala de recursos no contraturno escolar. 
 
TRILÍNGUE
A professora Ana Maria Panho do Nascimento, responsável pela Sala de Recursos para Portadores de Deficiência Auditiva e Surdez da escola conta que no local há dicionário trilíngue (de português, línguas e inglês) com as palavras trabalhadas em ilustrações, recursos como material lúdico que possibilitem a educação, CDs com vídeos nos quais clássicos da literatura são apresentados com o desenvolvimento da história mostrado junto com frases em língua portuguesa escrita e um intérprete de Libras. Os alunos também esclarecem dúvidas das aulas com Ana Maria.

Beatriz utiliza a língua de sinais para contar que prefere os jogos da sala, pois os recursos visuais são muito utilizados. “Nós aprendemos auditivamente. Para o surdo, ele tem que visualizar essa palavra e fixar”, explica Ana. Na escola, há 5 alunos com surdez e quatro com deficiência auditiva. Entre eles, cinco são fluentes em escrita da língua portuguesa e dois já são totalmente alfabetizados em Libras.

INCLUSÃO
Há 25 anos a professora trabalha com alunos surdos e com deficiência auditiva. Ela lembra que até a inclusão desses estudantes nas salas de aula regulares, a educação deles era segregada. As crianças e jovens surdos e com deficiência auditiva ficavam todas juntas em salas separadas. Também foram trabalhadas orientações para os professores para facilitar a aprendizagem.

“A participação deles, o desenvolvimento social e emocional foram muito grandes”, dia Ana. Ela acredita que a inclusão nas salas também tenha aberto o mercado de trabalho de Araçatuba para pessoas surdas e com deficiência auditiva. “Antes, eles nem pensavam em cursar faculdade. Eles saíam da escola depois da idade indicada pelo Estado e ficavam em casa.” 

Além disso, Ana Maria conta que, com o convívio dos estudantes com perda auditiva, os outros alunos se interessam por aprender algumas palavras em Libras e alguns deles ajudam a comunicação dos colegas surdos, na ausência de um intérprete.

 

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