José Hamilton Brito é membro do Grupo Experimental da Academia Araçatubense de Letras

Hamilton Brito: Um pouco da nossa história

A história musical de Araçatuba é muito bonita, tão rica em talentos que só um iniciado não consegue enxergar tanta gente boa fazendo música da melhor qualidade. Não só o Chico Buarque, o Bonfá, o Caetano, o Pixinguinha e outros dignificaram a canção brasileira. Façamos uma ronda pela nossa música, a música de Araçatuba.
 
Vamos citar como começo de prosa, um que se fez médico, mas que nasceu seresteiro: o médico Dr. Renato Monteiro, hoje, finado. Sem dúvida o maior nome da seresta da nossa cidade. Na medicina ombreou-se com as maiores feras da sua época: Dr.Cotrim, Uchoa, Cardili, Katsuda, Okida, Creso e na música brilhou tanto quanto. Grande no diagnóstico, na terapia, na cirurgia e no canto e violão.
 
Seu nome era respeitado, clinicando ou cantando. Com os seus amigos Carlinhos Santiago, Geraldo Monteiro, Valcyr Dornelas, Rufino, formou um belo conjunto de seresta, poetizando as noites araçatubenses, seja na cantina Bella Napoli ou na Newton's Pizzaria. 
 
Possuía o maior e melhor repertório, passando facilmente por Adoniram Barbosa, Guilherme de Brito, Chico Buarque, Ataulfo Alves e seleta companhia. Chão de estrelas, de Sílvio Caldas e Orestes Barbosa foi a música da sua vida. Queria que os amigos a cantassem na sua despedida.
 
Emocionados, fizemos-lhe a última homenagem.
 
Na missa de sétimo dia, a quantidade de lencinhos indo aos olhos deu uma dimensão do amor que a cidade sentia pelo seu filho adotivo, posto ser ele de Taubaté. Ouso dizer que a música "Sentimental demais", de Evaldo Gouveia e Jair Amorim, foi escrita tendo o médico seresteiro como fonte de inspiração, tamanha a sua sensibilidade.
 
E temos mais, e não são poucos, outros nomes: Maestro Brandini e, com ele, o excelente pistonista Jurandir Croti - o Jura - vindo de Gervásio e sua orquestra, para brilhar nos carnavais da cidade. Há quem se lembre ainda do saxofonista Milton.
 
Manfredini, o grande maestro de Os Guanabaras, onde pontificou o pistonista Moacir.
Dona de belíssimas e inesquecíveis performances, citamos a cantora Meire.
Marcou época o conjunto The Yellows, com Rafa, Carlinhos, os irmãos Arthur e Dorival e o Giba.
 
Esses correram mundo mostrando lindas interpretações em casamentos, bailes de formatura, de debutantes. Há ainda a citar o Corda e Vozes, o Tuba Trio. Quem gosta de boa música pode ouvir o Kadá, o Querô, Cesar Menezes, Mazzini, o violão xonado do Jorginho, o professor Beltrão e os seus companheiros da seresta.
 
Aos sábados, entre as 12 e 17 horas, ali na esquina da Torres Homem com a Chiquita Fernandes, o Dr. Renato se apresentava com o violonista Mario Eugênio, que integrou o conjunto Astros do Amanhã, do saudoso Bolinha, o Edson Gabariti, que marcou época no programa A Hora do Bolinha, na tevê Bandeirantes. Mario Eugênio acompanha quem queira mostrar o seu talento.
 
E os há em quantidade e qualidade: José Soares, Militão, ainda o Giba, mostrando que o tempo não lhe diminuiu o brilho, seja cantando ou tirando doces acordes da sua guitarra. Era sonho do grande médico seresteiro que o gosto pela seresta sempre renasça em outros corações. Eu e Dr.Lorico, bons alunos, no meio desse povão. 
 
"Quem se lembra do passado com emoção, nunca sentirá o tédio do presente" (Rubem Alves)
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