Viaturas da GM fizeram transferência dos órgãos e depois das equipes médicas da Santa Casa ao aeroporto

Guarda Municipal faz operação especial para transportar órgãos para transplantes

Doadora é uma jovem de 23 anos

A Guarda Municipal de Araçatuba fez uma operação especial na quarta-feira (13) para transportar os órgãos captados de uma paciente doadora na Santa Casa de Araçatuba até o aeroporto. Apesar de a guarnição sempre fazer a escolta dos veículos que transportam os órgãos, foi a primeira vez que os próprios guardas transportaram os órgãos captados e as equipes médicas.

A doadora é uma jovem de 23 anos, residente em Avanhandava. Ela morreu após cair com a motoneta na estrada vicinal Armando Viana Egreja. A vítima trabalhava em uma loja de calçados em Penápolis e o acidente aconteceu na manhã de segunda-feira (11), quando ela foi encontrada desacordada.

Após receber atendimento médico em Penápolis, a paciente foi transferida para Araçatuba, onde foi constatada a morte cerebral. Os familiares concordaram com a doação dos órgãos, porém, não autorizaram o hospital divulgar informações sobre o procedimento.

Apesar disso, a reportagem apurou que a Guarda Municipal fez duas viagens da Santa Casa até o aeroporto, levando órgãos e as equipes médicas que atuaram nas captações. Os médicos também não quiseram falar, respeitando o pedido da família.

O que a reportagem conseguiu apurar é que foram captados coração, os dois pulmões, pâncreas, fígado, os dois rins e as córneas da doadora. Equipes de um hospital de Marília viriam a Araçatuba para captar pele e ossos da doadora, mas o procedimento foi cancelado.

ATRASO
A Guarda Municipal foi informada que o transporte das equipes médicas teria início por volta das 11h, mas a primeira equipe com o coração e os pulmões captados deixou o hospital depois das 13h. O atraso se deu porque nos outros hospitais, as equipes ainda preparavam os pacientes que receberiam os órgãos. Coração e pulmões precisam ser transplantados em no máximo quatro horas após a captação.

Aviões, um deles da FAB (Força Aérea Brasileira), levariam os médicos aos destinos. No caso do coração, a equipe seguiria para o aeroporto de Congonhas, em São Paulo, de onde seria levada de helicóptero até o Incor (Instituto do Coração), onde ele seria transplantado.

Após deixar as primeiras equipes no aeroporto de Araçatuba, os guardas retornaram à Santa Casa para pegar os médicos que fizeram a captação do fígado e pâncreas da doadora e também os levaram ao aeroporto. Todo procedimento foi concluído às 15h30.
Para agilizar o transporte, agentes de trânsito da Secretaria de Mobilidade Urbana bloquearam os cruzamentos, auxiliando os guardas que estavam nas duas viaturas que seguiram com as sirenes e os giroflex ligados.

O comandante da Equipe Delta, que fez os transportes, Eraldo Natal dos Santos, informou que, em média, os percursos do hospital até o aeroporto foram feitos em seis minutos. “A gente se sente honrado em ajudar a instituição e as pessoas que estão do outro lado, aguardando esses órgãos. Tínhamos que fazer o máximo possível para dar tudo certo”, comenta.

RECEPTORES
A reportagem apurou que entre os receptores dos órgãos captados está uma criança que nasceu com uma cardiopatia grave e receberá o coração da doadora. Um dos pulmões seria transplantado em uma adolescente de 17 anos, que aguarda na fila desde setembro de 2016. Ela sofre de hipertensão pulmonar grave.

A receptora do fígado da jovem seria uma mulher de 46 anos, que já tinha sido transplantada, mas desenvolveu uma hepatite grave. Outra mulher, de 37 anos, receberia o pâncreas, que aguardava há dois meses. Ela está internada no Hospital Leforte, antigo Hospital Bandeirantes, uma das principais referências nesse tipo de transplante no Estado.

Os rins seriam captados e levados para o Hospital de Base de São José do Rio Preto, onde seria consultada a lista de espera para encontrar receptores compatíveis. As córneas seriam captadas por equipe da própria Santa Casa e levadas para o banco de órgãos.

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