Atuante há 33 anos, a iniciativa sem fins lucrativos busca novos participantes para ampliar o efeito das ações

Grupo que há 30 anos distribui marmitas procura novos voluntários

Nos finais de tarde, moradores de rua de Araçatuba se reúnem no terminal rodoviário atentos ao movimento de carros que estacionam na redondeza. Lá, voluntários do Gramor (Grupo de Ajuda aos Moradores de Rua) distribuem marmitas todos os dias do mês às pessoas que não teriam meios de adquirir as próprias refeições.

Atuante há 33 anos, a iniciativa sem fins lucrativos busca novos participantes para ampliar o efeito das ações de solidariedade. O grupo também se movimenta para se formalizar, segundo um dos coordenadores das atividades, o empresário Antônio Nobre de Freitas, 61. “Nós gostaríamos de atender mais pessoas”, afirma. Ele explica que o Gramor precisa de mais membros para intensificar o trabalho. Os novos voluntários podem se comprometer a preparar as refeições, distribuir as marmitas, ajudar na administração e fazer doações.

Já a formalização do grupo como ONG (Organização não governamental) possibilitaria a participação de programas e a obtenção de recursos do Estado, o que também daria um maior poder de ação à iniciativa.  Aproximadamente 200 pessoas se dividem nos trabalhos do grupo. A cada dia do mês, uma família ou empresa se encarrega do preparo e embalagem das marmitas. Todos eles recebem uma sugestão de cardápio específica para cada data. O objetivo é que os moradores de rua não sejam obrigados a comer os mesmos pratos todos os dias. 

CUSTOS
Os próprios voluntários custeiam a compra dos ingredientes para a confecção de no mínimo 50 marmitas para cada dia. Há outra escala diária para membros responsáveis pela distribuição. “Para muitos, a marmita é a única refeição do dia”, afirma Freitas. Essa foi a realidade de David Villela de Souza, 27, que na última sexta-feira recebeu uma refeição. “Fiquei o dia inteiro sem comer nada antes da marmita.” 

Há quatro meses, ele se tornou morador de rua e foi informado sobre a distribuição de refeições do Gramar por meio de outros que passam pela mesma situação. Souza conta que estava enfrentando dificuldades pessoais em Três Lagoas, onde vivia, e por isso resolveu deixar o município sul-mato-grossense para tentar a sorte em Araçatuba. Sem emprego no destino de sua mudança, ele passou a viver nas ruas. Ele está tentando conseguir recursos para poder comprar uma passagem de ônibus e encontrar a mãe em José Bonifácio. 

DIGNIDADE
De acordo com Freitas, o impacto principal da ação é dar o mínimo de dignidade para pessoas que não têm apoio do Estado. “E a fome que eles sentem é aguda.” 
Entre os voluntários há médicos e dentistas que ajudam na compra de medicamento e ao encaminhamento de moradores de rua a tratamentos. Outros integrantes também se encarregam de levar panelas com alimentos para ajudar em projeto da base da Polícia Militar no Jardim Jussara voltado para a entrega de comida a crianças do bairro em situação de vulnerabilidade. Ao todo, 40 meninos e meninas são atendidos. 

O Gramor também arrecada recursos para a compra de cestas básicas, que são distribuídas para famílias carentes da periferia de Araçatuba. O grupo ainda realiza a distribuição de cobertores a moradores de rua; só neste inverno, foram entregues 200. O grupo está em contato com uma instituição financeira local para arrecadar recursos que possibilitem a compra de sacos de dormir que possam ser dobrados e transformados em mochilas, para evitar que os objetos sejam perdidos pelos moradores de rua. 

O trabalho do Gramor foi iniciado pelo empresário José Nobre de Freitas, irmão de Antônio, e um grupo de amigos. Atualmente, outros membros da família ajudam na coordenação das ações. “O que motivou a gente a fazer isso é a insatisfação em saber que há outros sem condição de se alimentar. Também é um modo de agradecer o que nós temos. É um trabalho cristão que nos leva a ver o outro como nossos semelhantes”, afirma Antônio Nobre de Freitas.

COMO AJUDAR
Pessoas interessadas em ajudar o trabalho do Gramor pode entrar em contato com a coordenação do grupo por meio do telefone (18) 3624-6160.

 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.353986