Gabas afirma que sua candidatura foi um pedido do ex-presidente Lula

Gabas diz que reforma da Previdência é 'desmonte'

Petista colocou seu nome à disposição para eventual candidatura

Para o ex-ministro Carlos Eduardo Gabas, a reforma da Previdência proposta pelo governo do presidente Michel Temer (PMDB) é, na verdade, um desmonte do sistema de proteção do País, com o objetivo de levar a população a procurar planos de previdência privada. 

Gabas foi ministro da Previdência durante os governos de Luiz Inácio Lula da Silva e Dilma Rousseff, ambos petistas. Ele explicou que não existe um “rombo” na Previdência, mas isso não significa que as coisas devem ser mantidas do jeito em que estão. O ex-ministro defende uma mudança nas fontes de financiamento para aperfeiçoar o sistema. 

Natural de Araçatuba, Gabas colocou seu nome à disposição do Partido dos Trabalhadores para uma eventual candidatura a deputado federal nas eleições deste ano. Caso sua candidatura se confirme e ele seja eleito, Gabas afirmou que irá atuar pela região de Araçatuba. Confira trechos da entrevista que ele concedeu à Folha da Região:

A justificativa do atual governo para a reforma da Previdência é a de que existe um "rombo". O senhor esteve nesse ministério por 13 anos. Isso existe mesmo?
Não tem esse rombo. A apresentação das contas é feita de forma a evidenciar o déficit enorme ou, em última análise, a inviabilidade do nosso sistema de proteção. Vamos separar as coisas. A Previdência não está quebrada, mas, nem por isso, nós não devemos fazer nada. Não está um "céu de brigadeiro".

O que o senhor acha da reforma proposta pelo governo federal?
A reforma que o governo propõe é para fazer frente a isso que eles chamam de "rombo bilionário" e de uma "previdência que vai inviabilizar o País". Eu quero dizer o contrário: a Previdência não é problema para o País. Ela é parte da solução. Qualquer sociedade evoluída, com um mínimo de humanidade, tem que ter um sistema de proteção social para idosos, doentes, acidentados, para o espectro da sociedade que, num momento de dificuldade, precisa da proteção do Estado. Para isso ele (o cidadão) contribui. Isso não é benesse ou privilégio. O governo tem dito isso: "Vamos acabar com os privilégios". Não é verdade. A média da aposentadoria é de R$ 1.100. Acabar com privilégios seria propor o fim do auxílio-moradia de R$ 4.300 de um juiz que tem 60 imóveis em uma cidade. Mas por que atacar a Previdência? Porque ele (o governo) tem que atender a interesses do capital especulativo.