Fontes de corrupção

No cenário político fica evidente que, quanto maior a desigualdade, maior a corrupção

Em entrevista à Folha publicada no último domingo (14), o ex-vereador e ex-secretário de Negócios Jurídicos de Araçatuba, Ermenegildo Nava (PP), diz não mais querer compor a “fonte de corrupção” que são, ao seu ver, os partidos políticos. O ex-integrante do primeiro escalão do governo Dilador Borges (PSDB) deixa claro que o sistema não funciona e as legendas só existem devido à previsão constitucional.

Do modo de vista prático, a população não pensa diferente, embora, na maioria dos casos, não tenha base legal para entender sobre o sistema partidário brasileiro, que virou moeda de troca para corruptos. Prova disso é o surgimento de inúmeras agremiações partidárias ditas nanicas, que se juntam aos grandes partidos para disputar eleições. Muitas vezes, esse apoio é tão insignificante que só é proposto para que as coligações usufruam do tempo de rádio e televisão de que dispõem todas as siglas. São, de fato, inexpressivas e já nasceriam fadadas ao insucesso, não fosse o destino certo de serem somente objetos de barganha política. 

Em análise ao sistema partidário de países importantes no cenário político mundial, fica evidente que, quanto maior a desigualdade, maior a corrupção. A Noruega, por exemplo, considerada a nação mais democrática do mundo por cinco anos consecutivos, tem, segundo seus governantes e instituições, a luta pela igualdade como a principal forma de garantir políticas de acesso à população que participa de vários referendos ao longo de um ano. Outro fator essencial são as políticas públicas fortes e uma cultura baseada na confiança, ou seja, tudo que falta no Brasil. 

Um governo que dá ao povo o direto — ou dever? —, de escolher o que entende ser melhor, sem manipulações, tende a chamar os eleitores à responsabilidade de ditar os rumos do governo. Enquanto no Brasil as decisões importantes são tomadas em cúpulas políticas, guardando o poder para poucos, em países mais democráticos, tais decisões são divididas. A corrupção é maior quando o poder está nas mãos de poucos e quanto maior a desigualdade social. O Brasil, em nível mundial, é um país que sofre de corrupção endêmica. Esta pode ser considerada uma praga como a dengue, a febre amarela ou a febre chikungunya.
 
Embora a palavra endemia seja utilizada para sinalizar que a corrupção se espalhou e se adaptou bem ao cenário político e não que ela seja apenas um problema “nosso”, há que se entender que, como disse Nava, os partidos são uma das maiores fontes de corrupção e estão ligados aos maiores escândalos, sempre na ávida tentativa de angariar fundos para “comprar” as eleições. O povo anseia por mudanças, mas precisa entender seu papel e suas responsabilidades, pois sem isso, não se faz a democracia e não se promove a igualdade, favorecendo a corrupção.

LINK CURTO: http://folha.fr/1.384480