Foi-se o tempo em que políticos se impunham pelo autoritarismo

Um dos mais tarimbados políticos de Araçatuba, o vereador Jaime José da Silva (PTB) voltou a ser motivo de comentários nas redes sociais, no fim de semana, ao ser flagrado em uma discussão no trânsito. No último dia 24, portanto há pouco mais de duas semanas, foram registradas imagens do momento em que ele discutia em uma loja da Vivo, reclamando, com seu característico tom elevado, do atendimento da concessionária de telefonia celular.

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Em menos de um mês, o petebista foi de herói a vilão. Na primeira encrenca em que se envolveu, ganhou coro da população. Afinal, já não é de hoje que as empresas de telefonia estão no topo das reclamações de consumidores. Na última, porém, sua aparição, virou motivo de polêmica. De acordo com as imagens registradas no sábado, aparentemente, Jaime está armado — ele nega.

As inúmeras críticas feitas à atitude do vereador, independentemente de ele estar com a razão, mostram que, para pelo menos boa parte da população, não é essa a postura esperada de um homem público. Em vez de atos intimidatórios, como os demonstrados na briga ocorrida no trânsito, a expectativa é por uma conduta pautada no diálogo.

Vereador em seu quarto mandato, tendo sido presidente da Câmara, delegado de polícia aposentado e professor de direito, Jaime é conhecido pelo temperamento forte, segundo aliados; autoritário, para os críticos.

Fato é que a situação na qual se envolveu no sábado passado foi um verdadeiro desafio para o vereador. Não são raros os exemplos de tragédias que acontecem no trânsito justamente por causa de discussão envolvendo motoristas, motociclistas e pedestres. Imaginemos, então, qual a repercussão que teria uma eventual fatalidade ocasionada por uma discussão cujos personagens centrais eram um vereador e um munícipe?

Numa sociedade que, cada vez mais, carece de diálogo, as boas ações poderiam partir das figuras públicas. Foi-se o tempo em que autoridades, sejam elas políticas, de segurança ou qualquer outro setor, marcavam posição por meio do autoritarismo. No caso do político, que depende do voto para se manter em atividade, será que é isso o que o eleitor, de fato, espera? Bons políticos, mais do que bons executores de obras ou autores de leis, devem agir com bom senso, sabendo que suas atitudes podem influenciar, negativamente, o comportamento dos cidadãos.

Não se pretende, com essa reflexão, dizer que Jaime deve mudar o seu jeito de ser. O político precisa entender, em qualquer situação, o seu papel de representante da sociedade. Daí, a necessidade do equilíbrio.