Flor sem espinhos

Espinhos só espetam quem não tem boas intenções, na maioria dos casos

Entrevista concedida pela vice-prefeita de Araçatuba, Edna Flor (PPS), dá um norte sobre o primeiro ano do mandato de dois políticos que, sem experiência na linha de frente de um município, encaram o desafio de ajudar a recolocar a cidade no mapa do crescimento e desenvolvimento, lugar que deve ocupar não só por ser sede regional, mas por ter projetos importantes.

A maior cidade da região enfrenta diversos problemas, tendo passado por anos seguidos de gestões turbulentas e truculentas, nas quais o diálogo não existia e as vontades eram impostas, sendo o mais importante ter a palavra final sem escutar os anseios populares, colocando interesses de grupos ou indivíduos acima do público. Nesse quesito, pode-se dizer que o atual governo tem tentado adotar jogo de cintura para lidar com situações, por mais impopulares que sejam, ainda que, do ponto de vista legal, existam vários entendimentos. Tem conseguido entender que a legalidade nem sempre está ligada à moralidade, caminhando, assim, para um governo de coalizão, em sintonia com o que o povo quer. Isso ficou claro nos sucessivos recuos dados à proposta inicial de elevar o IPTU em 45% neste ano.

Medidas impopulares sempre serão impopulares, principalmente quando tratam de majorações que impliquem no já tão estrangulado orçamento do cidadão comum. Mas, a princípio, o que se tem visto é que a necessidade de aumento de caixa pode começar pela economia, gerando mais divisas sem mexer no bolso do contribuinte. Tudo o que é feito de maneira minuciosa, visando aos princípios da administração pública, deve, de fato, surtir melhores efeitos, que resultam na contenção dos desperdícios.

Seria possível, em vez de onerar o contribuinte, escolher com mais sabedoria os gastos, como no caso do asfalto que será refeito no início do ano. São pequenos gestos capazes de garantir um melhor aproveitamento do que o governo tem nos cofres, dando aos munícipes a satisfação de ver que estão, de fato, governando para e pelo povo, não em prol de interesses particulares.

Se o pensamento norteador de toda e qualquer obra pública for sempre o princípio da economia, é possível ajustar o caixa para atender aquilo que a população necessita e também quer. É dever dos dirigentes economizar o dinheiro público, primando por um serviço de qualidade e que atenda às necessidades dos cidadãos. 

Isso, com certeza, é possível sob a ótica da eficiência em gestão e do “não fazer vista grossa”, como vinha sendo feito, aos contratos de execução de obras, principalmente. Todos querem flores sem espinhos, mas, às vezes, eles são a única maneira de ver as coisas sendo feitas com calma, de maneira protegida. Seiva e espinhos são essenciais a muitas plantas. Espinhos só espetam quem não tem boas intenções, na maioria dos casos. 

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