Flávio Salatino é médico cardiologista e vereador em Araçatuba

Flávio Salatino: Sangue solidário

A Fundação Pró-Sangue, órgão ligado à Secretaria de Saúde do Estado de São Paulo, divulgou neste mês uma informação preocupante. O estoque de quatro tipos de sangue, de um total de oito, está em estado de alerta ou crítico. As tipagens O (negativo e positivo) e A (positivo) se encontram em situação crítica, com volume bem abaixo do necessário para atender a demanda. E se os dados disponibilizados já seriam suficientes para deixar hospitais em situação de alerta total, outro fator serve para ascender de vez a luz vermelha dos hemonúcleos e bancos de sangue do Estado.

Estamos nos aproximando do inverno e do período de férias escolares, períodos em que as doações de sangue caem pelo menos 50%. Ou seja, a situação para quem depende de transfusão sanguínea deve piorar ainda mais. Somente Araçatuba e região consomem cerca de 2 mil bolsas por mês, sendo que metade desse número é destinado à Santa Casa local, hospital que presta atendimento médico aos municípios da região.

E é aqui que entra a importância de um ato simples, rápido e sem dor: a doação de sangue. Muitas campanhas são realizadas durante todo o ano, todas com um único objetivo: aumentar o número de doadores. Isso porque uma única doação pode salvar até quatro vidas. Da bolsa de sangue coletada são separados a plaqueta, o plasma e o concentrado das hemácias. E esse plasma ainda pode ser transformado em medicamentos para hemofílicos, por exemplo.

É preciso que as pessoas se conscientizem da importância de doar sangue durante todo o ano e não apenas nos períodos de campanhas e datas que façam menção ao ato, como o Dia Mundial do Doador de Sangue, 14 de junho. Ou quando há um parente ou amigo precisando. A solidariedade deve ser constante.

A doação é um gesto simples que ajuda a fornecer um produto insubstituível nos atendimentos de emergências. O ato de doar representa além de um gesto solidário, um carinho ao próximo ao salvar vidas. Atualmente, segundo a Fundação Pró-Sangue, do número total de doações, cerca de 40% são praticadas por doadores que a fazem pela primeira vez.

Os números poderiam ser melhores, tanto o do total de doações quanto o de novos doadores. Mas o medo, falta de informação e o preconceito podem ser alguns dos motivos que desestimulam a população a doar. 

Esses receios não deveriam justificar o baixo número doadores, uma vez que o processo de coleta e transfusão obedece a normas rígidas do Ministério da Saúde. Atualmente, existem diversas formas de esclarecer dúvidas que possam surgir antes de fazer uma doação. Então, vamos arregaçar as mangas e ajudar a salvar vidas. Doar sangue é promover a cidadania e fazer deste um mundo melhor.