Falta de compromisso da administração com o social

Após promover um anúncio pomposo no mês passado de que aumentaria em quase R$ 1,5 milhão o repasse a entidades sociais, a gestão do prefeito Cido Sério (PT) atrasou a liberação de recursos ao Lar Caminho de Nazaré, no bairro Verde Parque, em Araçatuba, que está ameaçado de fechar as portas. O mesmo governo que em um momento utiliza a área social para se autopromover, também é capaz de uma conduta reprovável com o público carente de seu município.

Na oficialização de cerca de R$ 2,5 milhões para 13 entidades assistenciais, entre as quais o próprio Lar Caminho de Nazaré, o prefeito e alguns secretários municipais cumpriram o roteiro à risca. Por sua vez, faltou à equipe efetivar o ato, depositando o repasse na conta da entidade. E não há como alegar que foi uma falha no sistema, como costumeiramente as autoridades fazem. As transferências não acontecem há seis meses.

Não se sabe se há ou não algum problema burocrático impedindo o cumprimento do convênio. A Prefeitura de Araçatuba optou por não explicar a razão para o atraso. Antes de tudo, esse esclarecimento é de interesse direto das 80 crianças e adolescentes assistidos por projetos do Lar Caminho Nazaré, além de outros 14 menores de idade acolhidos após encaminhamento pela Justiça, em decorrência de situações de vulnerabilidade.

Infelizmente, não se trata de um caso isolado ou uma exceção. A assistência social de Araçatuba teve, nos últimos anos, episódios de desorganização que mostram desrespeito à população carente. Em 2011, o Executivo gerou a falsa expectativa em 124 famílias de baixa renda ao utilizar frases de duplo sentido em cartas enviadas aos candidatos de moradias populares. Em outubro passado, em outro projeto de moradia popular, a Prefeitura fez uma mistura de 269 nomes na hora de publicá-los no diário oficial, colocando moradores que deveriam estar na lista de espera no grupo daqueles que teriam perdido prazo no processo do residencial Águas Claras 2.

Falta de repasse de verbas a entidades sociais e problemas na seleção de moradores carentes para programas habitacionais são falhas inaceitáveis e que põem em xeque o compromisso da administração com o social, ainda mais quando os gestores se privam de dar esclarecimentos.