Evandro Everson Santos é economista formado pela FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba) e PM aposentado

Evandro Everson Santos: Um chamamento à reflexão

Já escrevi neste precioso espaço que não tenho pretensões em me candidatar a cargos eletivos, seja ao Executivo ou ao Legislativo. Entretanto, acredito, rigorosamente, na frase atribuída a vários autores, segundo a qual, fora da política, não há salvação.

Lembrando sempre que, sem políticos, não existe democracia. Considerando que um dos principais legados da democracia é que todos têm o direito de expressar livremente sua opinião. E que qualquer cidadão brasileiro pode se candidatar a um cargo eletivo, desde que cumpra exigências estabelecidas pela Constituição Federal.

Dotado de um espírito inquieto e contestador que sou, fascina-me a política em toda sua abrangência. Como disse o notável filósofo Aristóteles (384 - 322 a.C.), “o homem é um animal político”. Prazerosamente, acompanho diariamente, através de jornais, televisão e mídias sociais, notícias e editoriais sobre economia e política de países que estão em evidência, principalmente do Brasil e da nossa região. Confesso que o que tenho lido e visto, no aspecto político, tem me causado profunda preocupação. Em especial em Araçatuba, onde moramos, trabalhamos, estudamos e constituímos família. 

Faltando menos de um ano para as eleições, que acontecerão em outubro de 2018, “vários nomes de pré-candidatos a deputados despontam no cenário político de Araçatuba e região”, conforme matéria publicada pela Folha da Região em 16 de outubro. Permanecendo esse cenário, com velhos conhecidos do establishment da política local, fica a sensação de que, mais uma vez, perderemos oportunidades para promovermos mudanças significativas em nosso cotidiano. 

Segundo pesquisa do Instituto Ipsos (08/17), apenas 6% dos eleitores se sentem representados pelos políticos em quem já votaram. Caso não apareça alguém verdadeiramente fora do escopo político-partidário em Araçatuba, penso que a crise profunda pela qual o País atravessa não terá seu caráter pedagógico para que possamos aprender e mudar esse cenário sombrio, começando pela nossa cidade. É confortável nos ocultar através de argumentos falaciosos. 

Clichês como “há vácuos de lideranças”, “vivemos um deserto de opções” e “há uma pobreza de pensamentos” se desgastaram no tempo. Há uma demanda do povo por renovação e, acima de tudo, há líderes que vêm se destacando em nossa cidade, preparados intelectualmente, conhecedores de política, economia e das vulnerabilidades sociais de Araçatuba e região. E mais: possuidores de boa desenvoltura com a imprensa, rádio, televisão, mídias sociais e discursos inteligíveis, algo raro nos atuais postulantes.

Refletir e mobilizar a sociedade araçatubense se faz urgente, encorajando, estimulando e ouvindo projetos e pessoas comprometidas com a cidade. É imperativo que a sociedade civil, formadora de opinião e líderes de todos segmentos, abra espaços, convide, incentive e ouça o que esses novos atores têm a dizer. Refletir é preciso, afinal, as eleições de 2018 já são para amanhã e a de 2020 é para depois de amanhã. Ainda há tempo para sermos felizes. 

LINK CURTO: http://folha.fr/1.372014