Evandro Everson Santos é economista formado pela FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba) e PM aposentado

Evandro Everson Santos: Procura-se um líder, urgente

Já virou lugar-comum escrever que vivemos a pior crise econômica e política de nossa história. Alguns analistas de economia e política advogam a tese de que esses dois atores são distintos e independentes, afirmando que as crises desencadeadas são decorrentes do desequilíbrio somente de um desses atores, o que discordo frontalmente. Economia e política são irmãs siamesas e com uma agravante, impossível separá-las. 

Para piorar surgem outros atores, com espectros de incertezas, obscuridade moral, insegurança jurídica e institucional, mudando o cenário radicalmente, tornando a crise mais aguda ainda. Obscuridade moral, leia-se dubiedade de caráter e ética, ou melhor sua total ausência, em determinados políticos e agentes públicos; chaga essa que é velha conhecida nossa, possivelmente desde a colonização, ou quem sabe, desde descobrimento do Brasil, levando a acreditar que tal patologia é atávica, passando de geração para geração. 

Com o País no olho do furacão, políticos e vários editorialistas de todo tipo de mídia, tomados por devaneios, insistem em afirmar que as instituições estão funcionando normalmente. 

Discordo novamente. Sem alarmismo, os últimos acontecimentos nos levam à percepção de uma pré-convulsão social. Além da corrupção sistêmica, violência urbana sem controle, radicalismo ideológico; fatos recentes como vandalismo e incêndios de prédios públicos, como os dos ministérios da Agricultura, Cultura e Fazenda; a necessária intervenção das Forças Armadas, prevista na Constituição Federal, em casos de preservação da ordem pública e o desconforto dos brasileiros gerado pelo perdão judicial (anistia total), concedido pelo ministro Fachin aos delinquentes confessos, irmãos Batista, donos JBS. 

Tudo isso, sem contar a repugnante tratativa para um acórdão a fim de atenuar punições a políticos envolvidos na Lava Jato e o casuístico movimento para aprovar uma proposta de emenda à Constituição, que determine eleições direta, ou seja, “Volta, Lula”, vilipendiando nossa Carta Magna. 

Em um texto, publicado no jornal “Folha de S.Paulo” (28/05) com o título “Ecos do passado - Brasil não sabe lidar com o povo na política”, o historiador José Murilo de Carvalho, faz reflexão a partir de 1930 até o atual momento que passamos. Com um breve resumo da obra, o autor diz: “a vulnerabilidade de presidentes eleitos tornou-se feijão com arroz da política nacional. A instabilidade decorre da incapacidade dos governantes de lidar com a ascensão do povo como ator relevante e portador de demandas novas num país marcado pela desigualdade (...)”. 

Como sempre ressaltei, democracia para ser duradoura, dá trabalho; nossos políticos e detentores do grande capital brasileiro não perceberam que parte da sociedade está vigilante aos atos do Congresso e aprenderam ir para rua reivindicar seus direitos e protestar de maneira ordeira contra desmandos. A classe política fracassou e é necessário dar lugar a novas gerações de líderes comprometidos com a nação. Enquanto não aparece esse líder; pseudos salvadores da Pátria já se movimentam; notem o deputado federal Jair Bolsonaro (PSC-RJ), o apresentador de TV Luciano Hulk e outros outsiders por aí. Então, caro (e)leitor, muita sensatez nesta hora.

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