Evandro Everson Santos é economista formado pela FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba) e PM aposentado

Evandro Everson Santos: Jeitinho brasileiro

Somos conhecidos de além-mar pelas nossas façanhas criativas em resolver nossos conflitos. Várias obras literárias, como “Raízes do Brasil”, de Sérgio Buarque de Holanda (1902-1982), um dos maiores clássicos da ciência social, e “Macunaíma, o herói sem nenhum caráter”, de Mário de Andrade (1893-1945), considerada uma obra de humor ímpar pela sua época, tentaram explicar o “jeitinho brasileiro”. 
 
São obras totalmente antagônicas, pelo estilo literário, porém, quanto aos personagens, ambas têm um ponto em comum em referência à lei: um a evita; o outro, a dribla, sustentando a lei da vantagem e do ganho.
 
Neste contexto, destaco dois fatos que nos despertaram a atenção. O primeiro aconteceu em nossa região, provavelmente acontece todos os dias e em todo País. A diferença é que, neste caso, chamou a atenção da mídia, pelo fato de os atores serem empresários, profissionais liberais, pecuaristas, enfim, pessoas bem posicionadas social e financeiramente. 
 
A denominada Operação “Gato de botas 2”, deflagrada (24/07) com o objetivo de reprimir furto de energia na região e em outras localidades, gerou várias prisões de suspeitos, mandatos de busca e apreensão em residências e estabelecimentos comerciais. Como se nada tivesse acontecido e mesmo com forte repressão, tanto de autoridades como da sociedade, esse comportamento criminoso persiste em nossa cultura. É o que sentimos quando lemos notícia publicada na Folha da Região (26/08), “Polícia flagra fraude em hotel no Centro”, isto é, mais uma suspeita de furto de energia elétrica em estabelecimento comercial. 
 
O segundo são velhos atores conhecidos nossos que persistem em não saírem dos noticiários do País. Sem respaldo da sociedade, a polêmica reforma política, arquitetada somente para benefício dos políticos e não da sociedade, vem perdendo força a cada dia. Procedimentos como esses vêm gerando enorme desgaste da política partidária brasileira. Isso se confirma pela expressiva rejeição aos legisladores que nos representam no Congresso Nacional. 
 
Consequentemente, esse desgaste atinge vários partidos hoje existentes. Segundo levantamento do “Datafolha”, realizado no mês de junho passado, somente 2% dos brasileiros têm firme confiança nos partidos. Seguindo uma tendência internacional, vide a França com o En Marche, e a Espanha com o Podemos, nossos políticos estão optando pela mudança do nome e qualificação de seus partidos, excluindo o “P” do partido. Ressalte que a mudança não é por motivos ideológico como os europeus. 
 
Nomes bem elaborados, como Avante (PT do B), Podemos (ex-PTN), Progressistas (PP), Patriota (PEN), MDB (PMDB) e Livres (PSL), estão mudando a fotografia, porém, manterão os mesmos vícios de sua identidade. Ocultar, omitir ou dissimular a própria identidade em períodos de crises não é a solução. Reforma política é necessária, mas sem mudar nossa conduta e costumes, será inútil. Se não houver planejamento e a criação de um novo País, onde a integridade (honestidade, retidão) seja um ponto de partida, não resgataremos nossa esperança.
LINK CURTO: http://folha.fr/1.361386

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