Evandro Everson Santos é economista formado pela FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba) e PM aposentado

Evandro Everson Santos: Há algo podre em nosso reino

Parafraseando a icônica frase de Hamlet: "Há algo de podre no reino da Dinamarca"; melancolicamente, ela nos faz refletir sobre a atual situação política do Brasil. Com um impacto devastador, é só rememorar as crises na saúde, nos presídios, segurança pública e na falência dos Estados que deixaram milhares de brasileiros na miséria, moribundos na fila de hospitais, vítimas da corrupção instalada em nosso País. 

Acostumados com notícias negativas que desnudam diariamente a moral e ética de nossos políticos, recentemente, novos fatos chamaram atenção na mídia brasileira. Em nossa região, o prefeito eleito de Ilha Solteira, há quatro meses foragido, foi preso em razão de mandado de prisão, pelo cometimento de fraudes em licitações. O episódio foi destaque na primeira página (29/03) na Folha da Região com o título: “Fim da novela - Preso, Edson Gomes diz que está com a saúde abalada”.

Com direito à liturgia que o cargo lhe dá, Edson, após ser preso, foi levado à Câmara Municipal, para tomar posse, antes tirou fotos com simpatizantes e retornou à cadeia. Detalhe: mesmo preso, apega-se ao regimento interno da Câmara, com apoio da maioria dos vereadores para não perder o cargo de prefeito. 

No Rio de Janeiro, conselheiros do TCE (Tribunal de Contas do Estado), suspeitos de receberem propina para favorecer análise de contratos, sob fiscalização do órgão, são presos (29/03) em ação da Polícia Federal. A prisão foi revogada pelo STJ (Superior Tribunal de Justiça), com restrições, como afastamento de suas funções por 180 dias. O TCE-RJ é composto por sete membros; na época, cinco foram presos na operação, um já estava preso em regime domiciliar, beneficiado por delação premiada, ficando somente um membro que é a corregedora do tribunal.

Detalhe: uma das atribuições dos TCEs é zelar pelo bom uso do dinheiro público. Enquanto isso, em Brasília, uma comissão de deputados estuda a possibilidade de criar um fundo de aproximadamente R$ 6 bilhões para financiamento da campanha eleitoral de 2018. Detalhe: sem contar com o já existente recurso de R$ 800 milhões, mais o horário de rádio e TV, dito “gratuito”. 

Fatos como esses demonstram o quão elevado está o nível de necrose do tecido social- político brasileiro. Leiam-se congresso, presidência e ministérios da República, governos estaduais, prefeituras, vereadores e órgãos da administração direta e indireta. Porém, mesmo com a quebra de paradigmas e menos tolerância à corrupção, aproveitar oportunidades para remover essa oligarquia tradicional de políticos brasileiros é imperativo para sobrevivência de nossa democracia.

Fato é, que causa angústia a demora do surgimento de novas lideranças que não sucumbam tão facilmente aos vícios de nosso sistema de representação política e consigam novamente apaixonar mentes e corações. Mesmo assim, jamais devemos esquecer que, enquanto povo, somos os grandes titulares da soberania, relegar ou terceirizar nossa participação política será uma grande tragédia a futuras gerações.

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