Evandro Everson Santos é economista formado pela FAC-FEA (Faculdade da Fundação Educacional de Araçatuba) e PM aposentado

Evandro Everson: Otimismo e cautela não fazem mal a ninguém

Em nosso país, infelizmente, o otimista é considerado um bobalhão mal informado. Eufemisticamente, vamos considerá-lo um incauto. Mesmo porque o discurso do pessimista transmite mais credibilidade do que o do otimista. 

Nesse contexto, ainda prefiro ser otimista, onde vejo as dificuldades pelo lado mais favorável e que sempre haverá uma solução, podendo ser a curto, a médio ou a longo prazo. Considerações à parte, confesso que, após ter lido o editorial “Fontes de corrupção”, da Folha da Região, meu estado de espírito e de esperança ficou abalado por alguns minutos.

Brilhante texto, o editorial revela os meandros da política brasileira, através da entrevista do ex-vereador e ex-secretário de Negócios Jurídicos de Araçatuba Ermenegildo Nava (PP), publicada no penúltimo domingo, em que ele explicita o seu desencanto e frustração com a política partidária, a qual militou por longo período. Com toda transparência que lhe é peculiar, sem pormenores, desabafa dizendo que “partido é uma das fontes de corrupção”. 

E ressalta: “Tem que existir, porque a Constituição diz que tem que existir, mas infelizmente, no Brasil é uma fonte de corrupção”, diz. Por fim, ressalta: “Quando você é legitimado para representar o povo, para quem tem comprometimento, é muito difícil. Você dá um sorriso e quase chora no resto das situações”. 

Porém, incorrigivelmente otimista que sou, durante cinco minutos, refleti melancolicamente e segui em frente. Acredito que 2018 será um ano divisor de águas, tanto na economia como na política. A política ainda é uma ferramenta de transformação da realidade. Mas cabe somente a nós, cidadãos, promover essa transformação e, ao que tudo indica, estamos no caminho certo, tendo em vista o amadurecimento político do eleitor brasileiro. 

É imperioso reconhecer que a Operação Lava Jato contribuiu muito com a sociedade, desnudando grande parte da oligarquia brasileira. Basta ver a relação de senadores e deputados que são alvos da investigação e poderão perder o foro privilegiado, excluindo-os definitivamente da reeleição. 

Na economia, o FMI (Fundo Monetário Internacional) estima que, neste ano, o número de nações em recessão será o menor que já registrou. Segundo a “Folha de S.Paulo” (20/01, Opinião) no Brasil, o cenário para os próximos meses afigura-se favorável. Com juros baixos e dinâmica positiva na economia internacional, o país pode crescer perto de 3% em 2018, sem temor inflacionário. Mas otimismo e cautela não fazem mal a ninguém, a percepção de melhora na economia depende de uma recuperação mais rápida do mercado de trabalho. 

O perigo está entre nós, que, sem a sensação de bem-estar na economia, escolher um novo governante, com caráter populista. O ambiente interno é favorável para retomada do crescimento, principalmente se o próximo governante estiver comprometido em dar andamento à agenda de reformas, como a da previdência, tributária e fiscal. Então, meu caro e(leitor), a única certeza que temos é um encontro marcado após as eleições para analisar o grau da minha ingenuidade, sinônimo de incauto.

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