Espaço público sem lei?

Decisão da Justiça obriga Tigrão a retirar alojados em estádio

Decisão da Justiça local que obriga o Atlético Esportivo Araçatuba, o Tigrão, a retirar adolescentes alojados no estádio municipal Adhemar de Barros em, no máximo, 30 dias, expõe mais um exemplo da má utilização da principal praça esportiva da cidade. Além da preocupante denúncia do Ministério Público, segundo a qual jovens atletas estavam sendo abusados sexualmente no local, o autor da decisão, juiz Adeilson Ferreira Negri, fez questão de enfatizar: 

“O estádio municipal é um bem público e não se tem notícia de qualquer documento legal que autorize o uso pelo citado clube. Ainda que o fosse, não há qualquer regularização quanto à presença de adolescentes no clube, que correm riscos, não só pelas condições em que se encontram, como também pela presença do suposto abusador, que mesmo com recomendação, não se afastou”.

Sim, o mesmo espaço que apresenta problemas de infraestrutura após reforma milionária de dois anos e que empresas exploram publicidade sem que o município ganhe um centavo em troca é também um ponto onde um time de futebol o utiliza de forma irregular, pelo menos conforme o Judiciário. Situações como estas demonstram que, para a utilização ali, regra não existe. E é justamente por isso que escândalos como o de assédio a jovens atletas estão suscetíveis a acontecer.

Esse quadro sucessivo de más notícias ligadas ao Adhemarzão deveria servir para que a atual gestão, do prefeito Dilador Borges (PSDB), procure o quanto antes promover a boa utilização do estádio. Um primeiro passo, aparentemente, já foi dado, com a notícia de que o município iria entrar com ação de reintegração de posse do local após a decisão que obrigou o Tigrão a desalojar as dependências do estádio.

Feito isso, é necessário que o poder público local faça um pente-fino no Adhemarzão. Há relatos de que muitos araçatubenses, adeptos da caminhada no espaço, tenham desistido dessa prática esportiva por temer a falta de segurança e, em alguns casos, até pelas condições de funcionamento.

A precariedade na manutenção de lugares voltados à prática do esporte na cidade é tão preocupante que transcende os limites do estádio municipal. Conforme a Folha noticiou na semana passada, nem mesmo quadras abertas nos bairros estão sendo devidamente cuidadas, ficando tomadas pelo mato alto e com sua estrutura danificada.

A formação de novos atletas, o sucesso de Araçatuba em competições regionais e estaduais e as políticas voltadas para a juventude dependem, também, da boa qualidade dos equipamentos esportivos existentes.