Escola sem partido e alunos politizados

O famoso “política, futebol e religião não se discutem” não deve servir de base para alienação

A discussão acerca da implantação do projeto Escola Sem Partido na rede municipal de ensino tem, em linhas gerais, o objetivo de evitar a “doutrinação” político-partidária dos alunos. Essa precaução se faz necessária, tendo em vista que é no ambiente escolar onde são dados os primeiros passos rumo à conscientização sobre o mundo em que vivem crianças e adolescentes. 

E, por outro lado, nem sempre quem tem o papel de ensinar consegue conter as suas convicções sobre a política. Pensar nessa cautela é fundamental até por causa do acirramento das correntes de direita e de esquerda que o Brasil testemunha já há algum tempo, tendo as redes sociais como principal arena dessas disputas. Os jovens, por sua vez, têm as ferramentas digitais como principais instrumentos para troca de informações.

Apesar da dimensão que a proposta vem ganhando, o que se viu com a ampla manifestação a favor ocorrida em frente à Câmara de Araçatuba na semana passada, a escola apartidária não deve formar alunos sem conscientização política, que não tenham opinião própria e que não saibam o que é certo ou errado, independentemente de quem venha, seja de esquerdistas e direitistas. Há muito tempo, bem antes da ideia da Escola Sem Partido, fala-se na necessidade de se ensinar educação política. Ora, no Brasil, o eleitor já pode votar a partir dos 16 anos de idade. E mais: a cada dois anos, ele é levado às urnas para decidir o futuro de sua cidade, seu Estado e País.

O dito popular de que “política, futebol e religião não se discutem” não deve servir de pano de fundo para uma alienação sobre o modo de funcionamento e o papel das instituições que regem a sociedade. Somente a educação é capaz de fazer um jovem entender que a política é um meio de servir à população e não de quem está no poder se servir, a exemplo do que acontece em Brasília, no Estado e na região.

É essa velha forma de tratar a coisa pública, responsável por levar à corrupção e que envolve gente de todas as correntes ideológicas no Brasil, que precisa ser aniquilada. Por isso, quanto mais cedo o cidadão souber o papel dos três poderes e da história política de onde vive, entre tantas outras questões ligadas ao tema, melhor. Não raramente, hoje, há muita gente que não sabe para quais cargos irá votar no próximo ano. 

Ignorâncias desse tipo só favorecem a atuação dos políticos espertalhões. A escola precisa, sim, ensinar política. Em grande parte, muito da bandalheira que se vê nos dias atuais está ligada à falta de conscientização da população. Dessa forma, a Escola Sem Partido deve ser tratada com o devido cuidado.

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