Firmas do ramo já instaladas, como a Protege (foto), terão um ano para encontrar um novo lugar, de acordo com a lei

Empresa de valores terá de funcionar só na área rural de Araçatuba

Projeto foi aprovado pela Câmara e espera sanção de Dilador

A Câmara de Araçatuba aprovou, durante sessão da noite de segunda-feira (6), projeto do vereador Gilberto Mantovani, o Batata (PR), que proíbe a instalação de empresa de transporte de valores no perímetro urbano do município. A proposta segue agora para o prefeito Dilador Borges (PSDB), que pode sancioná-la ou vetá-la. 

Segundo a propositura, as empresas do ramo que estão sediadas dentro do perímetro urbano terão o prazo de um ano para encontrar um novo lugar para se instalarem de acordo com as regras que a lei estabelece. Duas firmas desse tipo estão nessa situação em Araçatuba, entre elas, a Protege, que foi alvo de assaltantes no ano passado. Atualmente, a empresa está no Jardim Presidente. 

Caso Dilador sancione a norma, as empresas de transporte de valores só poderão ser implantadas em áreas rurais e em locais onde não existam colônias agrícolas, condomínios rurais ou áreas com adensamento populacional. Caberá ao Executivo regulamentá-la e ela entrará em vigor 120 dias após a sua publicação. 

Batata apresentou o projeto no mesmo dia em que Araçatuba passou pelo seu maior assalto, quando bandidos fortemente armados roubaram a Protege, que ficava no bairro Santana, após explodirem o muro do prédio da empresa. Os ladrões ainda atiraram contra PMs na sede do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior), que teve o acesso bloqueado por dois caminhões que foram incendiados. 

Outro caminhão foi utilizado para interditar o trânsito da rodovia Marechal Rondon. Um policial civil morreu durante a ação. Até o momento, os autores do roubo não foram presos. 

OPINIÕES
Durante a sessão, Batata disse que vários municípios do Estado de São Paulo e do Brasil passaram por momentos de terror. "Não foram só os vizinhos daquela região em volta do prédio da Protege. Foi a cidade inteira", afirmou o parlamentar. De acordo com ele, existe um projeto semelhante na Assembleia de São Paulo. "Queremos dar segurança aos munícipes", assinalou o vereador. 

Já o vereador Almir Fernandes Lima (PSDB) disse que o projeto de Batata pode entrar em conflito com futura lei estadual, pois a proposta que está tramitando na Assembleia dá prazo de dois anos para as empresas do ramo se adequarem. O tucano, apesar de concordar com a relevância da propositura, alertou que o município pode perder empresas para cidades circunvizinhas. 

Arlindo Araújo (PPS) disse que a proposta era bastante oportuna. "Pelo que tem acontecido, é fácil perceber a incapacidade do Estado em dar segurança à população", falou o pepessita. 

NO AGUARDO
A Prefeitura de Araçatuba informou, por meio de nota, que aguarda o Legislativo encaminhar o projeto para o Executivo. "Só depois disso, será possível conhecer o teor completo do projeto e ser discutido o veto ou não", disse a administração municipal.

A reportagem encaminhou e-mail para a assessoria de imprensa da Protege, solicitando posicionamento da empresa em relação à aprovação do projeto, mas não recebeu resposta.

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