Economia irrisória

Já faz algum tempo que o loteamento de cargos públicos é um grande mal na política araçatubense

Reportagem recente publicada pela Folha da Região mostra que uma das primeiras medidas tomadas pela gestão de Dilador Borges (PSDB) à frente da Prefeitura de Araçatuba para cortar gastos, a redução de secretarias municipais, tem representado muito pouco para o poder público.

O tucano diminuiu de 19 para 15 o número de pastas no Executivo local, fazendo a junção do setores existentes. Com isso, Comunicação foi incorporada à de Governo; Participação Cidadã agregada à Assistência Social; Turismo se juntou ao Meio Ambiente; e Desenvolvimento Agroindustrial foi juntada à de Desenvolvimento Econômico.

Essa absorção, na verdade, só diminuiu os gastos com secretários municipais. A estrutura funcional das secretarias ficou praticamente inalterada. De acordo com a Prefeitura, não nomear secretários para as pastas fundidas representará uma economia de pelo menos R$ 612 mil por ano. Entretanto, o gasto com funcionários de secretarias que deixaram de existir chega a R$ 3.155.154,48 por ano.

No que diz respeito às finanças públicas, um grande desafio da gestão tucana é encontrar meios de aumentar a arrecadação municipal. É, entre outros fatores, com base nesse entendimento, que Dilador tenta emplacar a polêmica proposta de aumento de 20% no IPTU (Imposto Predial e Territorial Urbano) a partir do ano que vem. Porém, é fato consumado a significativa economia que uma administração pública faz ao enxugar o número de cargos comissionados, o que ainda não aconteceu neste governo. Já faz algum tempo que o loteamento de cargos públicos é um grande mal na política araçatubense. É a moeda de troca que faz governantes ficarem reféns de apoiadores políticos. 

Por isso, mais do que economizar, Dilador daria um grande choque de moralidade se conseguisse eliminar as famigeradas “boquinhas” que aparecem na gestão pública de Araçatuba. Se uma medida como essa não for colocada em prática, a redução de secretarias soará como fantasiosa, feita apenas para mostrar diferença em relação ao seu antecessor e rival político, Cido Sério (PT).

Boas políticas de austeridade ocorrem quando, de fato, o aumento da arrecadação vem acompanhado de uma redução de gastos com eficiência. É nesse ponto que reside tamanha insatisfação popular com a proposta de aumento do IPTU. Os araçatubenses estão cansados de ver recursos faltarem para a educação, saúde e melhorias na infraestrutura urbana, enquanto governo após governo, cargos de confiança com altos salários se mantêm na estrutura do serviço público, trazendo poucos resultados para o município.

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