Bandidos explodiram lateral no Santana (esq.); após 2 meses, empresa se mudou para o Jardim Presidente

Dilador sanciona lei e Protege terá que mudar sede de novo

Empresa foi alvo de mega-assalto em outubro do ano passado

O prefeito de Araçatuba, Dilador Borges (PSDB), sancionou lei que proíbe a instalação de empresas de transporte de valores no perímetro urbano do município. A regra teve origem em projeto de autoria do vereador Gilberto Mantovani, o Batata (PR), que foi apresentado no mesmo dia em que a empresa do ramo Protege foi assaltada.

A partir de agora, as empresas de transporte de valores que já estão instaladas em Araçatuba terão o prazo de um ano para se adequar à norma. As empresas do ramo só vão poder ter sede na zona rural, desde que fiquem distantes, pelo menos, dois quilômetros de colônias agrícolas, condomínios e bairros rurais com dez ou mais residências concentradas em um espaço que compreende um raio de 200 metros. Duas firmas desse tipo estão no perímetro urbano de Araçatuba. 

Em 16 de outubro do ano passado, bandidos fortemente armados roubaram a Protege, que ficava no bairro Santana, após explodirem o muro do prédio da empresa. Os ladrões ainda atiraram contra PMs na sede do CPI-10 (Comando de Policiamento do Interior), que teve o acesso bloqueado por dois caminhões que foram incendiados. Outro caminhão foi utilizado para interditar o trânsito da rodovia Marechal Rondon. Um policial civil morreu durante a ação. Atualmente, a Protege está no Jardim Presidente.
 
Segundo Batata, o objetivo do projeto que acaba de se tornar lei é dar segurança aos munícipes, pois nem o Estado, nem as empresas de transporte de valor estariam garantindo segurança à população. Ele disse que foi procurado por pessoas que moravam ao lado da Protege para que o poder público tomasse providências. Batata comentou que existe proposta semelhante tramitando na Assembleia de São Paulo, que valerá para todo o Estado. 

REPÚDIO
Em nota, a ABTV (Associação Nacional das Empresas de Transporte de Valores) repudiou a sanção da lei, informando que o prefeito se negou a receber representante da entidade para tratar do tema. 

“A lei é inconstitucional, pois viola o direito adquirido das empresas que já se encontram instaladas regularmente na área urbana. Além disso, poderá determinar a redução de pagamento de impostos, redução de postos de trabalho, e não irá contribuir para melhoria da segurança da cidade, pois os serviços continuarão sendo realizados”, afirmou a associação em nota. 

Além disso, a ABTV considerou a medida eleitoreira e sem nenhuma efetividade prática, indo contra a economia da cidade. Já a Protege disse, em nota, apenas que a legislação está sendo analisada pela ABTV. 

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