"Não há relação de causa e efeito entre os astros e a vida"

Desmistificando a Astrologia

Colunista do Estadão e da Folha esclarece o assunto

Os signos podem influenciar em atitudes do dia a dia? Como as pessoas podem se orientar por meio do zodíaco? É muito comum que se façam essas perguntas, que se queira saber como os signos influenciam o cotidiano das pessoas ou determinados acontecimentos. As indagações são feitas a partir de um equívoco consagrado sobre o conceito de astrologia.

Imagina-se que a astrologia seja o estudo da influência dos astros sobre a vida humana. Porém nunca irá se encontrar uma relação de causa e efeito entre uma e outra, porque provavelmente ela não existe. Quando se fala em causa e efeito, fala-se em distanciamento entre um ingrediente e outro. Toda a eficiência do estudo astrológico se baseia nisso: que nós somos parte integrante desse céu onde buscamos informações para nos conhecer e conhecer os procedimentos da vida.

A explicação que abre este texto vem de um dos mais renomados astrólogos do país, Oscar Quiroga, responsável pelas previsões diárias do horóscopo da Folha da Região e do jornal O Estado de São Paulo. Numa conversa esclarecedora, ele fala sobre o real sentido da astrologia e no que ela se fundamenta. A seguir, os principais pontos da entrevista.
 

ASTROLOGIA
“Quando se estuda astrologia, não se trata de dizer que o céu é uma dimensão separada e distante do ser humano e que recebe a sua influência, mas se trata de encontrar o lugar de alguém no céu. E esse lugar no céu não é endereço, é um lugar que nós potencialmente representamos para o universo.

Quando queremos nos conhecer ou descobrir a natureza de um evento, vamos buscar informações em nosso passado. Porque na maior parte do tempo buscamos diálogos que a nossa consciência tem com as memórias. Então, uma parte da construção de nossa experiência de vida se baseia mesmo em nosso passado. Isso abrange nossa linha biológica e genética, a educação, a influência do meio ambiente e as memórias traumáticas e alegres. Tudo isso vai determinar muito do que somos no âmbito psicossocial.

Astrologia não lida com isso. O mapa astrológico não tem gênero. Por mais que o astrólogo seja proficiente, ele não vai poder dizer qual o sexo de uma pessoa, qual é a cor de sua pele, que língua ela fala. Nada disso é uma determinação cósmica, essas são ações biológicas e psicossociais.
A leitura de um mapa astrológico consiste em dar forma a esse pressentimento em que o futuro conversa com nossa consciência e a que geralmente não damos tanto peso como fazemos com nossas memórias. Mas futuro e passado têm a mesma relevância.

À medida que nós vamos nos atrevendo a entrar em contato com os pressentimentos e orientações que eles nos oferecem, aí sim começamos a construir uma parte de nossa experiência de vida, que é totalmente independente de nosso background. E neste momento, veja o que acontece, nós somos menos influenciados pelas circunstâncias e nos tornamos mais influentes.
 

ORIENTAÇÃO
O zodíaco fala de um futuro possível, de uma arquitetura num processo de consciência que leva de um ponto de brutalidade e ignorância até uma sofisticação e complexidade muito ampla, que nos conecta nada mais nada menos do que com o universo (do qual fazemos parte).

Então, a orientação que as pessoas sempre vão poder obter através do zodíaco e da astrologia é essa conexão com algo maior e mais bem disponível, mas que não vai acontecer naturalmente. O que acontece naturalmente por inércia é a repetição de nossas determinações do passado. A questão da astrologia e sua ligação com o futuro é que só nos atualizamos dado nosso esforço e estimulo próprio, buscando nossa evolução.
 

INFERNO ASTRAL
É de se supor que a cada ano, por ocasião de nosso aniversário, essa conexão com o futuro potencial é renovada. É como uma renovação de votos que fazemos no réveillon. Jogamos ao futuro nossas promessas e no decorrer do ano, atropelados como vivemos, vamos deixando de lados nossas promessas e renovações.

Então, no último mês anterior do aniversário seguinte, a consciência tem que se haver com tudo o que foi posto no subterrâneo, fingindo que nós, no aniversário anterior, não fizemos promessa nenhuma.
Isso pode adotar uma tonalidade infernal, porque essas informações nos açoitam e nos jogam na cara nossa negligências em relação às nossas promessas. Na medida que sejamos capazes minimamente de ir sustentando tais objetivos e fazendo o possível para concretizá-los, o período chamado de "inferno astral" não necessariamente será um período ruim, apenas de reflexão. Inferno astral é uma forma popular de se falar desse período de reflexão.

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