Juarez Paes é chefe de cozinha em Araçatuba

De um jeito ou de outro, mais cedo ou mais tarde, aprenderemos

Saiba como fazer um pavê de panetone

O melhor jeito ou forma de aprendermos as lições da, e para, a vida é pelo amor daqueles que nos querem verdadeiramente bem: nossos pais, amigos, entes queridos e algumas pessoas que não chegam a gozar da nossa amizade, ou estima, devido ao limitado, porém valioso, tempo de convívio, o qual, mesmo sem nos darmos conta, nos faz enxergar mais tarde a profundidade daquele ensinamento ou conselho; neste rol estão professores, colegas de trabalho, vizinhos, parentes distantes ou até mesmo aqueles eventuais em filas de banco, no ônibus, supermercados e outros lugares.
 
O problema desta primeira opção é a sua suavidade, o seu caráter de pureza sentimental, ser desinteressada e não cobrar nada por isso. Em consequência, não recebe a atenção e o valor devidos, costuma ficar guardada lá nos confins do subconsciente, numa pasta que só será aberta pelo advento da dor e do arrependimento. Poucos são aqueles que os ouvem, no momento da aplicação, e têm a coragem de colocá-los em prática e gozar da boa colheita.
 
O pior jeito é a opção guiada pela teima, o orgulho, a vaidade, a esperteza orientada pela soberba tenaz daqueles que presumem conhecer o caminho mais curto sem nunca ter trilhado por nenhum. É o aprendizado lecionado pela professora "Vida", que não conhece outro método a não ser o da dor, do ranger de dentes, do pranto e do lodo fétido e escorregadio das vielas dos falsos atalhos do caminho "fácil", que faz ajoelhar em limalha de ferro em brasa todos aqueles que optaram pelo seu "cursinho", como forma de diplomar os que por ali passaram.
 
O que se segue depois da vírgula é uma atribuição exclusiva da professora, que com toda certeza ensinará no devido tempo, de acordo com o limite e da necessidade de cada um dos matriculados na sua imensa classe.
 
É claro que a forma amorosa permanecerá com vagas disponíveis para aqueles que perceberem a tempo a tremenda "roubada" que seria passar pelo "Cursinho da professora Vida". É isso mesmo galera! Com a Gastronomia acontece do mesmo jeitinho, claro, guardadas aí algumas das devidas proporções inerentes a sua dinâmica, se não aprendemos pelo amor, será pela dor, às vezes literalmente.
 
Pelo amor segue os moldes do "melhor jeito" do primeiro parágrafo, quando temos a oportunidade de sermos iniciados na culinária pelas nossas avós, mães, avôs, pais, tios e tias, vizinhos e os muitos mestres que passam pelas nossas vidas, até mesmo nas trocas em filas de bancos, caixas de supermercados, ônibus e outras passagens.
 
Vai aí a diferença na aplicação prática, o instinto, o dom nato e a vontade de aprender e fazer com amor. Vale também lançar mão do que aprendeu para criar o novo, correr alguns riscos com base para serem do tipo "calculados" e manter a dinâmica natural da Gastronomia.
 
Faz parte também do aprendizado do amor estar atento a tudo que surge de novo e aos detalhes importantes do tradicional, enxergar no erro uma oportunidade de criação e jamais abandonar o bom senso, isso é ser um excelente comandado para se tornar um ótimo comandante.
 
A professora "Vida" também se veste com Dólmã e Toque Blanche e muitas vezes personifica-se como Chefs tiranos, que podem tornar a passagem de alguém pela cozinha num verdadeiro inferno. Mas, somente daqueles que, como os do terceiro parágrafo, optaram "pela teima, o orgulho, a vaidade, a esperteza orientada pela soberba tenaz daqueles que presumiram conhecer o caminho mais curto sem nunca ter trilhado por nenhum."
 
Salvos os casos de um descomunal e fantástico dom e talento natos (mesmo assim vai sofrer, menos, mas, vai), não adianta supor ou achar que sabe que combinar qualquer coisa com qualquer outra coisa pode ou vai dar certo sem conhecimento básico e a falta da mais ínfima presença de bom senso.
 
Sem saber a utilização de ingredientes como alho, cebola, salsa, cebolinha, manjericão e ervas em geral, especiarias, legumes, folhas, carnes, a base de molhos básicos, enfim, de tudo aquilo que um auxiliar precisa saber, não adianta querer mostrar seus "dotes" criativos porque não vai dar certo, você será desmascarado logo na entrada e perceberá que acabou de cruzar as portas do "Orco" e verá chifres saindo das laterais do toque blanche da chef "Vida".
 
Nem tudo está perdido: aprenda pelo amor com o chef Juarez Paes! KKKKKKK!
 

Pavê de panetone

 
Você vai precisar de: -2 panetones de frutas, gotas de chocolate ou qualquer outro que tenha sobrado das festas; -uma receita de ganache branco (1 creme de leite e 400 g de chocolate branco); -uma receita de ganache tradicional (1 creme de leite e 400 g de chocolate meio-amargo); -500 ml de chantilly pronto batido com 6 colheres de sopa de leite em pó); -1 dose de conhaque; -100 ml de guaraná; -raspas de chocolate para decorar.
 
Preparo: Derreta lentamente em banho-maria ou no micro-ondas os chocolates separadamente e misture cada um com uma caixinha ou lata de creme de leite para os ganaches e reserve-os. Bata o Chantilly com leite em pó e reserve. Fatie verticalmente os panetones em (fatias de 1 dedo de espessura) e umedeça-as (sem encharcar) com uma mistura de guaraná e conhaque, numa refratária faça uma camada de ganache tradicional, siga com uma de panetone, uma camada de ganache branco, panetone, ganache tradicional, panetone, ganache branco e panetone, finalize com uma grossa camada de chantilly e decore com raspas de chocolate, feche com filme plástico e leve a geladeira por pelo menos 2 horas antes de servir.

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