Curso de medicina: A saúde e a esperança no ensino

O avanço na tramitação para implantação de um curso de medicina em Penápolis traz a expectativa de que, num futuro não muito distante, alguns dos muitos problemas atualmente enfrentados pela população possam ser contidos. Porém, vale dizer, essa concretização só ocorrerá se houver melhora na estruturação da rede pública e nas condições de trabalho para os profissionais de medicina, hoje nem sempre satisfatórias e atraentes sob o ponto de vista financeiro, razão pela qual as prefeituras enfrentam dificuldades de contratar médicos.

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Com a criação do curso pela Funepe (Fundação Educacional de Penápolis), a região poderá ter, nos próximos dois anos, duas faculdades de medicina, algo que, durante décadas, foi uma luta das classes universitária e política e da população. Antes da cidade de Penápolis, Araçatuba já tinha conquistado curso nesse ramo, por meio do governo federal. As aulas ocorrerão no Unisalesiano (Centro Universitário Católico Auxilium).

Conforme reportagem publicada ontem pela Folha da Região, a mensalidade do curso na terceira maior cidade da região será, inicialmente, no valor de R$ 6,5 mil. Nenhum estudante investirá esse valor para, depois de formado, não encontrar as mínimas condições para bem desempenhar sua profissão. A contrapartida oferecida pelo poder público, então, estará na boa gestão dos recursos destinados à saúde. Com isso, as administrações municipais poderão evitar falta de materiais básicos em postos de saúde, algo recorrente em Araçatuba, e colocar em funcionamento novos serviços, evitando sobrecarga de atendimentos.

Por outro lado, o avanço no processo para a criação de um curso de medicina em Penápolis já cria uma disputa política entre as maiores cidades da região. O prefeito interino penapolense, Rubinho Bertolini (SD), acredita que, com a medicina, o município que governa ganha força na luta por um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Cirúrgico, algo também pleiteado ao Estado pelas vizinhas Araçatuba e Birigui.

No campo do desenvolvimento, a implantação dos cursos de medicina é vantajosa em todos os aspectos. Torna, definitivamente, o universo formado pelas maiores cidades da região um polo do ensino superior. Traz, ainda, a expectativa de aumento, por parte da iniciativa privada, de investimentos nas redes imobiliária e gastronômica.

Como se observa, os impactos gerados pelos cursos são muitos. Cabe, então, ao poder público começar a se preparar para essa realidade, especialmente no que diz respeito à gestão da saúde pública. Só assim, médicos formados na região poderão, de fato, chegar a quem mais precisa, ou seja, a população de baixa renda.