Cultura e combate ao preconceito

Agentes formadores de opinião precisam disseminar a ideia de respeito às diferenças

Representa um avanço numa cidade como Araçatuba, onde suas principais lideranças historicamente têm perfil conservador, a vitória de uma obra explorando tema, até então, considerado tabu em um tradicional concurso de literatura.

Reportagem do caderno “Vida”, da Folha da Região, publicada na edição de quarta-feira (29), trouxe entrevista com os primeiros colocados do concurso “Omair Zanardi”, de poesias. Com o poema “Liberta-se”, a professora e escritora Rita de Cássia Zuim Lavoyer obteve o primeiro lugar. Em seus versos, a autora faz uma homenagem ao público LGBT.

Além desse avanço, a vitória dela ocorre em um momento no qual está em voga o debate acerca do respeito às diferenças, inclusive com discussões acaloradas no meio político. A cultura, assim como a educação, têm também o papel social de promover a reflexão sobre temas que envolvem diretamente a comunidade. Como Rita, muitos utilizam seus talentos artísticos para “declarar indignações”. É a arte, para muitos, subversiva; para outros, de cunho político e social.

O fato de, nos dias atuais, o País viver uma democracia permite a seus artistas o exercício da plena liberdade, sem que a censura seja um instrumento de estado. Portanto, resultados de concursos como o de Araçatuba deveriam servir para promover a conscientização de que é possível abordar temas polêmicos em ambientes de discussão, sem que, para isso, apele-se para a polêmica ou a imoralidade.
Prestes a completar 109 anos, o município, ainda que a passos lentos, vem procurando promover o respeito a segmentos até então vítimas seculares de perseguição e preconceito. 

Hoje, por exemplo, a cidade está no grupo de municípios brasileiros que celebra o 20 de novembro como o Dia da Consciência Negra. No próprio meio artístico, onde Rita atua, mais avanços. Em outro momento, neste ano, a Prefeitura de Araçatuba levou adiante o “Plural”, nome com o qual foi batizado o festival cultural da diversidade. São gestos que contrapõem ao que, muitas vezes, vemos nas redes sociais ou no cotidiano, em que o preconceito de cor ou de sexo, só para citar as formas mais praticadas, ainda é recorrente.

É por isso que os agentes formadores de opinião, como professores, escritores, jornalistas, artistas em geral e representantes do poder público precisam fazer disseminar a ideia da necessidade de respeito às diferentes manifestações da sociedade. Quando isso ocorre, percebe-se o amadurecimento. Toda forma de preconceito é algo retrógrado, que impede a formação de novas mentes, necessárias para o crescimento da sociedade.

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