Critério valioso

Exigência mostra a necessidade de cuidar das UBSs

O governador Geraldo Alckmin (PSDB) colocou uma condição para os municípios da região de Araçatuba que, desde o início do ano, lutam pela implantação de um AME (Ambulatório Médico de Especialidades) Cirúrgico. Será privilegiada aquela cidade que tiver “prédio pronto”.

Ou seja, em tempo de vacas magras, o Estado não está disposto a investir numa estrutura, sem deixar, com isso, de oferecer serviço de qualidade. A exigência, que fez acelerar a corrida de Araçatuba, Birigui e Penápolis pela implantação da unidade, revela a necessidade, sempre defendida neste espaço, de os municípios terem seus espaços de atendimento à saúde em boas condições e em situação regular quanto à documentação e segurança.

Não bastará, então, haver simplesmente um prédio, mas uma edificação com boa estrutura e capacidade de atender muita gente — afinal, o serviço será de alcance regional. Conforme as palavras do político tucano, o preenchimento dessas qualidades é fundamental para a instalação da unidade operacional alvo de uma disputa política entre os maiores municípios da nona região administrativa do Estado.

Num primeiro momento, assim que Alckmin deu sua declaração, tudo indicava que o local seria Araçatuba. Além da logística e de ser referência regional em saúde pública, na cidade, a ideia do prefeito Dilador Borges (PSDB) é abrigar, no Hospital da Mulher, o AME Cirúrgico. Ocorre que o lugar indicado precisa de melhorias. Isso, o Ministério Público apontou, em ação judicial que pedia a obrigatoriedade de 16 adequações. 

O pedido, porém, acabou rejeitado pelo Judiciário. Vale lembrar ainda que, durante o ano passado, a Justiça local mandou o município providenciar AVCB (Auto de Vistoria de Corpo de Bombeiros) e registro do Cremesp (Conselho Regional de Medicina do Estado de São Paulo) para várias UBSs (Unidades Básicas de Saúde) de Araçatuba. Por fim, cabe ressaltar que o município ainda tem uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) para colocar em atividade.

Birigui, por sua vez, além de contar com apoio político do único deputado estadual com base eleitoral na região, Roque Barbiere (PTB), ofereceu ao Estado a sede de seu antigo pronto-socorro. A nova unidade de emergência e urgência, no entanto, chegou a gerar queixas quanto à infraestrutura, conforme matérias publicadas no início do ano pela Folha. Penápolis, que até a visita de Alckmin, considerava a batalha pelo AME praticamente ganha, ofereceu até agora um terreno — o governo de São Paulo deixou claro que construir não é seu objetivo nesse momento.

Assim, a condição imposta pelo governador paulista deixa clara a necessidade de os gestores públicos cuidarem de seus equipamentos destinados à saúde. Pois, se assim não acontecer, não haverá expansão da rede e, consequentemente, melhoras no serviço.