Pai da criança, o operador de máquinas Agnaldo Santos de Souza, foi ao plantão policial e informou que precisava saber o que teria causado a morte do filho

Corpo é retirado de velório para exame

Enterro só aconteceu no final da noite

Atendendo pedido da família, a Polícia Civil de Araçatuba determinou que fosse interrompido o velório de um menino de 2 anos, na tarde de sábado (16), para que o corpo fosse encaminhado ao IML (Instituto Médico Legal) para realização de exame necroscópico para apurar a causa da morte.

A criança passou mal na manhã de sexta-feira (15), depois de brincar na caixa de areia da Emeb (Escola Municipal de Ensino Básico) Maria Helena de Freitas Carli, no bairro Vista Verde, onde estava matriculada. Um boletim de ocorrência sobre o caso foi registrado pela Polícia Militar no plantão policial no início daquela tarde, mas não foi liberado à imprensa.

Em nota divulgada à noite, a Prefeitura informou que o menino morreu por volta das 19h, por causa não confirmada, pois dependia do resultado do exame necroscópico. Entretanto, o corpo da criança não foi encaminhado ao IML pelo hospital, pois o médico que prestou o atendimento atestou a causa da morte. Ela teria sido provocada por parada cardiorrespiratória, conforme apurado pela reportagem.

O velório aconteceu na capela da funerária Laluce e o enterro estava previsto para as 17h deste sábado. Entretanto, por volta das 16h, o pai da criança, o operador de máquinas Agnaldo Santos de Souza, 42 anos, que mora no bairro Água Branca 2, foi ao plantão policial e informou que precisava saber o que teria causado a morte do filho dele.

O delegado plantonista, Alessander Lopes Dias, determinou que fosse registrado um adendo ao boletim de ocorrência registrado na sexta-feira e que a empresa funerária encaminhasse o corpo para o IML. O enterro aconteceu por volta das 22h, após coleta do material. O resultado do exame deve ficar pronto em 30 dias.

CASO 
A diretora da escola, Ligiane Michele de Andrade Brunheira Martins, contou que o menino chegou à unidade por volta das 7h15, permaneceu no pátio com os colegas, comeu uma bolacha e depois de aproximadamente 20 minutos foi para a sala, deixou as coisas dele e seguiu com as demais crianças para a área do parque.

A maioria das crianças pegou um baldinho para brincar na areia, mas ele não quis balde e ficou brincando com as mãos. "Poucos minutos depois ele mostrou o braço e começou a coçar, mas não chorou, não gritou e nós achamos estranho", contou.
Uma funcionária o levou para o berçário e começou a retirar a roupa dele para verificar se havia algum inseto. Porém, a criança começou a vomitar e ficar sonolenta. Segundo Ligiane, foi feito contato imediato com o Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) e a família foi avisada. "Quando a mãe chegou, o menino tinha parado de vomitar e estava bem. Ele foi levado para o pronto-socorro do bairro Santanao e a princípio, achamos que ficaria tudo bem e ele voltaria logo para nós, pois foi rápido o atendimento", comentou.

A diretora informou que manteve contato com o hospital pela manhã, foi comunicada que o quadro estava evoluindo bem, mas por volta das 12h30 uma equipe da Polícia Militar foi à escola para registro do boletim de ocorrência, informando que a criança tinha piorado e sido levada para a Santa Casa.

SOCORRO
Na nota divulgada à imprensa, a Prefeitura comunicou que o paciente foi mantido recebendo soro no pronto-socorro, mas com a piora do quadro clínico foi transferido para a Santa Casa e passou por exames que descartaram meningite.

Segundo a assessoria de imprensa da Santa Casa, ao dar entrada na unidade, o paciente tomou soro contra picada de aranha e de escorpião. "Ele foi rapidamente encaminhado para a UTI, teve parada cardiorrespiratória e foi entubado. Foram realizados todos os procedimentos cabíveis pela gravidade do caso", informa em nota.

Segundo Ligiane, a equipe médica informou que não foram encontrados sinais de picada na criança. "Tudo o que temos de informação foi o que o médico nos passou. Ele disse que tudo indica que foi uma intoxicação. Pode ter sido uma picada de algum animal, alguma coisa que ele comeu. Não descartou nenhuma possibilidade", informa.

A diretora afirmou que as dependências da escola são limpas constantemente e que funcionários até já encontraram escorpiões no local. Após o ocorrido com o menino, profissionais da área de saúde revistaram a caixa de areia onde ele brincava e demais áreas da escola e não encontraram nenhum animal peçonhento.

As secretarias municipais de Saúde e de Educação trabalharão juntas no caso, que será investigado pela Vigilância Epidemiológica de Araçatuba, por se tratar de mortalidade infantil.

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